Cessar-fogo entra no 3º dia com ataques ne Israel ao Líbano e impasse sobre Ormuz
Após 43 dias de guerra, o cessar-fogo de duas semanas entre Estados Unidos e Irã entrou em sua fase mais frágil às vésperas das negociações previstas em Islamabad.
O acordo, anunciado pelo presidente Donald Trump, passa por questionamentos sobre seu cumprimento e sofre pressão com novos ataques na região, principalmente por parte de Israel no Líbano.
Segundo a Reuters, a trégua mostra sinais claros de desgaste menos de 48 horas após entrar em vigor. Washington acusa Teerã de não cumprir o compromisso de reabrir o Estreito de Ormuz, enquanto o Irã afirma que o acordo foi violado por ataques israelenses no Líbano.
Trump disse que o Irã está fazendo um “trabalho muito deficiente” ao permitir a passagem de petróleo pela rota e voltou a pressionar pela normalização do fluxo.
Ao mesmo tempo, indicou que o petróleo “vai voltar a fluir”, sem detalhar possíveis ações americanas.
Do lado iraniano, autoridades afirmam que não haverá avanço enquanto os ataques no Líbano continuarem.
Ormuz segue praticamente fechado
O tráfego no Estreito de Ormuz continua muito abaixo do normal, mantendo o impacto direto sobre a oferta global de energia.
Nas primeiras 24 horas da trégua, apenas um petroleiro e poucos cargueiros atravessaram a rota, que antes da guerra concentrava cerca de 20% do fluxo mundial de petróleo e gás.
Navios seguem acumulados nas proximidades do Golfo, à espera de segurança e clareza sobre as condições de passagem. Há também relatos de que o Irã avalia impor taxas para embarcações, o que elevaria ainda mais o custo do transporte marítimo.
A paralisação parcial da rota continua sendo o principal fator de pressão sobre os mercados e sobre as negociações diplomáticas.
Líbano se torna principal foco de tensão
Israel realizou novos ataques no país, incluindo bombardeios de grande escala, enquanto o Hezbollah respondeu com lançamentos de mísseis contra o norte de Israel.
As Forças de Defesa israelenses afirmaram ter atingido posições do grupo, enquanto sirenes foram acionadas em cidades israelenses após novos disparos.
Irã e Paquistão, mediador do acordo, sustentam que o Líbano deveria estar incluído na trégua. A divergência amplia o impasse e dificulta a sustentação do cessar-fogo.
Novas ofensivas também foram registradas no Golfo. Kuwait e Arábia Saudita denunciaram ataques contra infraestruturas energéticas, enquanto o Irã negou envolvimento direto e afirmou que suas forças não realizaram ofensivas desde o início da trégua.
Teerã sugeriu que, caso confirmados, os ataques podem ter sido conduzidos por adversários, em referência indireta a Israel e aos Estados Unidos.
Negociações ameaçadas em Islamabad
As negociações entre Estados Unidos e Irã estão previstas para começar no sábado, no Paquistão, com o objetivo de transformar a trégua em um acordo mais amplo.
No entanto, o Irã já indicou que pode não participar das conversas enquanto os ataques no Líbano continuarem. Autoridades afirmam que as negociações seguem suspensas até que haja um cessar-fogo efetivo em todas as frentes.
O impasse ocorre mesmo após a apresentação de uma proposta iraniana de dez pontos, que inclui manutenção do controle sobre Ormuz, reconhecimento do direito ao enriquecimento nuclear e suspensão de sanções.
O conflito já deixou mais de 5.500 mortos em toda a região, com impactos diretos sobre a infraestrutura energética e o comércio global.
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