China domina cadeia de robôs humanoides, mas ainda precisa encontrar função para máquinas
A China tomou a dianteira no mercado robótico e, hoje, é quase impossível fazer um robô sem fechar negócio com fornecedores do país. O setor, porém, tem tido aplicações limitadas, com máquinas menos eficientes do que humanos, segundo o New York Times.
Startups chinesas, como a Unitree, vendem robôs por menos de US$ 5 mil, um preço difícil de bater. O Japão já foi um dos fornecedores de componentes, como sensores, para os robôs chineses, mas hoje essas partes também são produzidas na China, que dominou a cadeia de suprimentos.
Enquanto isso, o Japão busca nichos na robótica em que poderia se destacar. No mês passado, na conferência em Tóquio, Humanoids Summit, investidores pediram que empresas japonesas encontrassem áreas em que pudessem concorrer com as chinesas, ainda que não pudessem competir em termos de preço.
O avanço do país no segmento de robôs humanoides está relacionado à vantagem também no mercado de veículos elétricos. Companhias que fabricam peças para os carros elétricos também fornecem para o setor robótico.
A fabricante de robôs UBTech, por exemplo, pode conseguir quase qualquer componente dos robôs em horas, contou o CBO (Chief Brand Officer) da empresa, Michael Tan, ao New York Times. Muitas partes podem ser impressas por 3D, o que agiliza o processo.
Mais de 90% dos componentes dos robôs da empresa vêm de empresas chinesas. O pouco que é importado costuma ser chips de computadores que controlam o movimento dos robôs.
Em 2025, a companhia produziu mil humanoides e pretende aumentar este número em dez vezes neste ano. Na China, os humanoides estão presentes em supermercados, linhas de produção industrial e inspeção técnica.
Aplicação para robôs
No entanto, ainda falta encontrar mais aplicações para os robôs. Uma das áreas que mais tem absorvido essas máquinas é a automação de fábricas. Em 2024, mais de 2 milhões de robôs operavam nas fábricas chinesas. Ao mesmo tempo, a instalação dessas máquinas em outros mercados, como Estados Unidos, Coreia do Sul, Japão e Alemanha, caiu.
Neste mês, reguladores chineses anunciaram uma campanha para encorajar governos locais e empresas estatais que ajudassem a identificar usos industriais para os robôs humanoides.
Empresas e investidores visualizam que os robôs podem ser utilizados em tarefas perigosas, como monitoramento de fábrica para vazamento de químicos e carregamento de cargas pesadas. Eles também acreditam que os robôs humanoides podem ser uma das formas físicas assumidas pela inteligência artificial.
Recentemente, os humanoides passaram a ser incorporados também no cuidado com os idosos, à medida que a população chinesa passa a envelhecer.
Até o momento, porém, as empresas têm enfrentado desafios em construir softwares capazes de simular suficientemente bem o mundo físico no treinamento dos robôs.
A maior parte dos robôs construídos pela Unitree foi vendida nos últimos dois anos para universidades e laboratórios, onde pesquisadores estão explorando como o software interage com o hardware humanoide.
O restante dos robôs da Unitree foi vendido para fábricas onde carregam caixas e realizam tarefas manuais básicas. Mas são menos produtivos que os trabalhadores humanos, desempenhando uma eficiência de 30% a das pessoas. Neste ano, a empresa irá tentar elevar esse número para 50%.
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