China impõe sanções a 20 empresas japonesas por risco militar
O Ministério do Comércio da China anunciou nessa terça, 24, uma proibição total da exportação chinesa de “itens de dupla utilização” – bens como terras raras que podem ser usados em aplicações tanto civis quanto militares – para 20 empresas japonesas.
A lista inclui a agência espacial do Japão e o conglomerado Mitsubishi, no que descreve como um esforço para conter a “remilitarização” japonesa.
Além disso, o ministério adicionou mais 20 organizações, entre elas a fabricante de carros Subaru, para uma “lista de vigilância”, cujos membros estarão sob observação estrita em relação ao que exportam da China, em um esforço para filtrar itens que podem ser utilizados para fins militares.
O Ministério notou que firmas estrangeiras e certos indivíduos também estariam proibidos de transferir itens de dupla utilização de origem chinesa para as companhias banidas.
“As medidas acima visam conter a ‘remilitarização’ e as ambições nucleares do Japão e são completamente legítimas, razoáveis e legais”, afirmou um comunicado do Ministério do Comércio. “As entidades japonesas honestas e que cumprem a lei não têm nada a temer”, acrescentou.
Mesmo com as novas sanções, ainda é difícil dizer se o Japão enfrentará escassez desses minerais, visto que o país é conhecido por manter grandes estoques de terras raras armazenados e por buscar os minerais de maneira independente.
Além disso, até dezembro, data dos mais recentes dados de exportação, a China continuava a exportar grandes quantidades dos materiais regularmente para o Japão.
Tóquio protestou contra as medidas e exigiu sua revogação, de acordo com o vice-secretário-chefe do gabinete, Kei Sato, que classificou a ação de Pequim como "absolutamente intolerável e extremamente lamentável".
Nova política de segurança
No cerne das preocupações chinesas está a nova política de segurança da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, que prometeu uma série de reformas para fortalecer a segurança do Japão.
Entre essas, está uma revisão dos documentos centrais de segurança japoneses para promover uma nova estratégia de defesa e acelerar uma mudança de regras de exportação militar no exterior para fortalecer companhias de defesa. As novas medidas vêm como um esforço de Takaichi para se alinhar mais ao presidente americano, Donald Trump, que advoga por maiores gastos em defesa por parte de seus aliados.
Além disso, prometeu dobrar os gastos de defesa do Japão para 2% do PIB até o fim de março, tornando o país um dos maiores investidores no setor do mundo, apesar de sua constituição pacifista. O artigo 9° da Constituição japonesa proíbe o país de ter um exército, limitando o arquipélago às Forças de Autodefesa Japonesas.
Problemas diplomáticos
As novas sanções são o mais recente desenvolvimento de uma rixa diplomática entre o Japão e a China, após comentários de Takaichi, poucas semanas após sua eleição em outubro, sugerindo que o Japão interviria militarmente no caso de uma invasão chinesa de Taiwan.
A ilha, que se autogoverna, desafia os interesses de Pequim, que busca a anexação do território como mais uma de suas províncias. O tema de Taiwan é sensível, e líderes pelo mundo – inclusive premiês japoneses – buscam uma postura de ambiguidade em relação ao tópico, evitando condenações e apoio. Todavia, Takaichi quebrou esse paradigma e, até então, não retirou seus comentários.
A subsequente crise democrática resultou no cancelamento de shows e voos, uma queda no turismo chinês ao Japão de até 61% e diversas rixas entre os governos, incluindo uma suspensão chinesa sobre exportações de frutos do mar japoneses e até o retorno dos dois últimos pandas do Japão para a China.
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