China não planeja invadir Taiwan em 2027 diante de possível fracasso, diz inteligência dos EUA
A Comunidade de Inteligência dos Estados Unidos (IC) revisou para baixo a probabilidade de uma invasão chinesa a Taiwan no curto prazo e avaliou que Pequim prefere assumir o controle da ilha sem uso de força militar.
A nova avaliação contrasta com projeções anteriores que indicavam a possibilidade de um conflito até 2027, cenário que vinha orientando decisões estratégicas em Washington e em Taipé, com reforço de capacidades militares e ajustes nas políticas de defesa, segundo o Wall Street Journal.
“Os líderes chineses não planejam atualmente executar uma invasão a Taiwan em 2027, nem têm um cronograma fixo para alcançar a unificação”, aponta o relatório anual de ameaças.
O documento se aproxima do posicionamento adotado pelo governo de Donald Trump em relação à China e ao presidente Xi Jinping. A estratégia de defesa nacional do Pentágono, divulgada em janeiro, definiu como prioridade a “estabilidade estratégica” no Indo-Pacífico, região que concentra disputas geopolíticas entre as duas potências.
O relatório, apresentado na quarta-feira pelo Diretor de Inteligência Nacional, mapeia riscos à segurança dos Estados Unidos. Entre os pontos destacados, a China aparece ao lado de Rússia e Coreia do Norte no desenvolvimento de sistemas avançados de mísseis, incluindo armamentos com capacidade nuclear.
A avaliação também indica que a China superou a Rússia na disputa por capacidades no espaço. Ao mesmo tempo, as forças armadas chinesas seguem ampliando recursos e planejamento para uma eventual anexação de Taiwan, caso haja determinação política para isso.
O relatório descreve esses avanços como contínuos, embora irregulares. O documento aponta ainda que uma operação militar contra Taiwan envolve riscos elevados e possibilidade de fracasso, principalmente em cenário com intervenção dos Estados Unidos.
Controle sobre Taiwan em 2049
A China considera Taiwan parte de seu território e mantém a diretriz de integração, inclusive com uso de força, se necessário. O governo de Taipé sustenta sua autonomia e evita declarar independência formal, movimento que é tratado por Pequim como linha vermelha.
Autoridades taiwanesas afirmaram que a ameaça permanece constante. "Não vamos diminuir nossos esforços [para fortalecer nossa defesa] só porque um relatório sugere que a China parece ter diminuído seus preparativos militares contra Taiwan", declarou Liang Wen-chieh, do Conselho de Assuntos Continentais.
Na avaliação de autoridades de segurança de Taiwan, fatores internos na China, como mudanças na liderança militar e desempenho de armamentos, influenciaram o adiamento de metas relacionadas a 2027.
O Ministério das Relações Exteriores da China reiterou que Taiwan é um tema interno e afirmou que os Estados Unidos devem evitar tratar o país como ameaça.
A Casa Branca atua para reduzir tensões em meio à preparação de um encontro entre Trump e Xi Jinping, inicialmente previsto para 1º de abril, em Pequim, e posteriormente adiado devido à guerra com o Irã.
Trump afirmou ter recebido garantias de Xi de que a China não atacaria Taiwan durante seu mandato. O relatório também menciona acordos comerciais recentes como exemplo de convergência de interesses entre potências rivais.
O documento ainda aborda repercussões internacionais, incluindo declarações da primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi sobre possível envolvimento do Japão em um conflito na região. A análise foi contestada pelo governo japonês, que afirmou não haver mudança em sua posição oficial.
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