China prepara plano de R$ 1,53 trilhão para expandir data centers
Segundo a Bloomberg, o objetivo é ampliar a infraestrutura nacional para tecnologias consideradas estratégicas por Pequim, como inteligência artificial, computação quântica e robôs humanoides. Data centers, centros de processamento que concentram servidores e sistemas de armazenamento, são a base física para treinar e operar modelos de IA em larga escala.
Operadoras chinesas como China Mobile e China Telecom devem administrar a maior parte dessas estruturas e garantir a conexão entre elas. O plano também prevê um índice elevado de nacionalização dos equipamentos usados nos projetos.
Pelo menos 80% dos componentes dos novos data centers, incluindo chips de IA, deverão vir de fornecedores locais. A exigência tende a beneficiar empresas chinesas como a Huawei, gigante de telecomunicações e tecnologia, e a reduzir o espaço de companhias estrangeiras ligadas à infraestrutura de IA, como a Nvidia.
A iniciativa ocorre em um momento de corrida global por capacidade computacional. Nos Estados Unidos, big techs, grandes empresas de tecnologia, como Microsoft, Meta, Google e Amazon planejam investimentos bilionários em infraestrutura de IA.
Juntas, essas companhias devem gastar US$ 725 bilhões em infraestrutura de inteligência artificial neste ano, segundo balanço do Financial Times referente ao primeiro trimestre. O movimento evidencia como a disputa por servidores, energia, semicondutores e centros de dados se tornou parte central da competição tecnológica entre China e Estados Unidos.
IA vira prioridade no planejamento chinês
A inteligência artificial tem sido tratada pelo governo chinês como uma tecnologia definidora para a próxima etapa de desenvolvimento econômico e industrial do país. Por isso, Pequim tem ampliado o uso de fundos estatais e políticas industriais para apoiar empresas do setor.
No ano passado, a China anunciou um fundo com previsão de até 1 trilhão de yuans, cerca de R$ 760 bilhões, para apoiar startups de tecnologia, segundo a Reuters. Antes disso, em 2024, o país havia criado um fundo de 344 bilhões de yuans, cerca de R$ 262,4 bilhões, voltado à indústria de semicondutores.
A tecnologia, com foco em IA, foi definida como prioridade no 15º plano quinquenal da China, aprovado em março de 2026. O documento orienta as metas econômicas e industriais do país e reforça a busca por autonomia em áreas consideradas críticas.
Essa estratégia também responde às sanções dos Estados Unidos, que restringem o acesso chinês a semicondutores avançados. Sem acesso livre a fornecedores estrangeiros, Pequim tenta fortalecer uma cadeia doméstica capaz de atender à demanda de empresas locais de IA.
Em maio, o fundo chinês para IA, criado em janeiro do ano passado, pretende liderar a rodada de investimento da startup chinesa DeepSeek. A empresa pode receber entre 3 bilhões e 4 bilhões de yuans, cerca de R$ 2,29 bilhões a R$ 3,05 bilhões.
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