'China se prepara para revolução da IA como nenhum outro país', diz Larry Fink
NOVA YORK — O CEO da BlackRock, Larry Fink, afirmou que a China está mais preparada do que qualquer outro país para a expansão da inteligência artificial por ter acelerado investimentos em energia e infraestrutura voltadas à nova economia digital.
“A China está construindo algo entre 100 e mais de 150 gigawatts de energia nuclear e solar”, afirmou Fink durante evento promovido pela American Chamber of Commerce for Brazil e pela BlackRock, realizado na sede da gestora em Nova York. “Eles estão se preparando para a revolução da IA como nenhum outro país jamais se preparou.”
A declaração ocorre em um momento de aumento da disputa tecnológica entre Estados Unidos e China em torno de inteligência artificial, semicondutores, energia e infraestrutura digital.
Nesta semana, o presidente dos EUA, Donald Trump, participa de reuniões com Xi Jinping em Pequim, na primeira viagem de Trump à China desde 2017. Temas como inteligência artificial, semicondutores, energia, minerais críticos e cadeias globais de suprimentos estão no centro das discussões.
Desafio fisico
Ao longo da conversa em Nova York, Fink afirmou que o principal desafio da inteligência artificial não é financeiro, mas físico: falta infraestrutura suficiente para sustentar o crescimento da demanda por computação.
“Não existe bolha de IA. O maior problema é que a demanda está crescendo mais rápido do que a oferta”, afirmou.
Segundo ele, o mundo enfrenta hoje uma escassez estrutural de capacidade computacional. “Temos uma escassez de computação”, disse. “Temos uma escassez porque não temos energia, GPUs, CPUs e memória suficiente.”
Nos últimos dias, afirmou o executivo, ele esteve reunido com CEOs e lideranças das principais hyperscalers americanas — empresas responsáveis pelas maiores plataformas globais de computação em nuvem — e ouviu avaliações semelhantes sobre o desequilíbrio entre demanda e oferta.
“A curva de demanda está crescendo mais rápido do que a oferta”, afirmou.
Na avaliação de Fink, a capacidade de produzir energia abundante e barata será determinante para definir quais países conseguirão liderar a corrida global da inteligência artificial.
“Se não tivermos energia barata suficiente, será difícil para um continente ou um país competir”, disse.
Foi nesse contexto que o executivo citou a China como o país mais avançado na preparação para a nova etapa da economia digital. Nos Estados Unidos, afirmou Fink, apesar da abundância de gás natural, há gargalos relevantes na expansão da infraestrutura energética. “Precisamos ser agnósticos em relação à energia”, afirmou. “Nós simplesmente precisamos de mais e mais energia.”
Segundo Fink, a demanda ligada à inteligência artificial cresce em velocidade superior à capacidade global de expansão da infraestrutura. “Essa é a grande questão acontecendo agora”, afirmou.
Processos industriais
O executivo também afirmou que a inteligência artificial deve acelerar processos industriais em diversos setores da economia, incluindo biotecnologia, desenvolvimento de medicamentos, engenharia e indústria aeronáutica.
“A velocidade com que os processos industriais vão acontecer — essa é a parte abundante”, afirmou.
Segundo ele, empresas já utilizam IA para reduzir drasticamente o tempo necessário para desenvolver novos aviões.
“Hoje, do ponto de partida até a produção e aprovação, um avião leva perto de dez anos”, disse. “Com IA, isso pode ser feito em poucos anos.”
Fink afirmou ainda que o atual ciclo de investimentos em inteligência artificial continuará impulsionando gastos recordes em infraestrutura tecnológica.
“Você tem seis empresas nos Estados Unidos que vão gastar US$ 700 bilhões em Capex”, afirmou. “O Capex de todo o mercado europeu é de cerca de US$ 200 bilhões.”
Na avaliação do CEO da BlackRock, o mundo ainda está nos estágios iniciais da transformação impulsionada pela inteligência artificial. “Estamos apenas no começo”, afirmou.
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