Chuva em São Paulo: até quando vai o frio na capital paulista?
A primeira semana do inverno em São Paulo surpreendeu os moradores. Desde segunda-feira, 22, uma frente fria mantém o tempo fechado e provoca chuvas persistentes na capital paulista, com temperaturas baixas e sensação de frio ao longo de todo o dia.
Nesta quarta-feira, 24, a cidade registra mínima de 12°C e máxima que não deve ultrapassar os 14°C.
A combinação entre a atuação de uma massa de ar polar e a elevada umidade do ar, acima dos 80%, reduz a amplitude térmica e intensifica a sensação de frio, segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE) da Prefeitura de São Paulo.
Historicamente, o inverno é a estação mais seca no Sudeste, marcada por dias ensolarados, baixa umidade e temperaturas amenas durante as tardes. Esse cenário, no entanto, é bem diferente do observado neste início da nova estação, iniciada oficialmente em 21 de junho.
Por que ainda está chovendo em SP?
A responsável direta pelo tempo instável desta semana é a primeira frente fria do inverno de 2026, um sistema meteorológico de grande extensão e força que avançou pelo sul do Brasil a partir de segunda-feira, 22.
De acordo com a Defesa Civil do Estado de São Paulo, a aproximação do sistema já favoreceu chuvas isoladas desde o início da semana, com possibilidade de descargas elétricas e rajadas de vento entre 50 km/h e 60 km/h.
Os maiores acumulados ocorreram nas regiões leste e sudeste, onde a chuva se manteve de forma persistente em determinados períodos.
O que surpreende é que essa chuva acontece exatamente na época em que o inverno deveria ser mais seco. Uma parte importante dessa explicação passa pelo El Niño.
O fenômeno, caracterizado pelo aquecimento anômalo das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial, está sendo monitorado de perto pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
Segundo o órgão, o El Niño provoca efeitos opostos entre o norte e o sul do Brasil: enquanto aumenta o risco de seca no norte, favorece grandes volumes de chuva na Região Sul e, com a intensificação do fenômeno, também afeta o Sudeste.
As previsões mais recentes do Centro de Previsão Climática (CPC) da NOAA, atualizadas pelo Inmet, indicam 79% de probabilidade de estabelecimento do El Niño já no trimestre junho-julho-agosto.
A partir do trimestre agosto-setembro-outubro, essa chance é igual ou maior que 90%.
Na prática, isso significa que o Sudeste pode enfrentar episódios de chuva fora do padrão ao longo do inverno, algo incomum para a estação.
Os dados do CGE da Prefeitura de São Paulo reforçam como o mês de junho já foi atípico em termos de precipitação. Até a terça-feira (23), junho acumulou 47,5 mm de chuva na capital, o que corresponde a aproximadamente 99% dos 48 mm esperados para o mês inteiro.
Inverno em SP: o que esperar?
A boa notícia é que o alívio está próximo. O tempo instável e chuvoso continua durante a quinta-feira, 25, porém com menor volume de precipitação, com temperatura máxima prevista de apenas 15°C.
A melhora começa no decorrer da sexta-feira, 26, ainda com muitas nuvens, mas com períodos de sol. Assim, as simulações atmosféricas mais recentes indicam um fim de semana com tempo firme, sem previsão de chuva e com elevação gradual das temperaturas.
Nesta semana, o frio persiste em todo o estado. Em Sorocaba, os termômetros variam entre 12°C e 19°C.
Em Ribeirão Preto, região tradicionalmente mais quente, as mínimas são de 14°C e as máximas chegam a 19°C. No extremo oeste paulista, em Presidente Prudente, as mínimas podem atingir 9°C.
Para o restante da estação, a Defesa Civil do Estado de São Paulo traça um cenário com características particulares.
A influência do El Niño deve favorecer o aumento da umidade e da frequência de chuvas na Grande São Paulo, com os efeitos se intensificando especialmente entre agosto e setembro.
As temperaturas devem permanecer próximas da média na maior parte do estado, embora os dias mais quentes para a época do ano tendam a ser mais frequentes no interior paulista.
O Inmet prevê que o volume de chuvas fique acima da média histórica no centro-sul de São Paulo durante o trimestre de inverno. As temperaturas, por sua vez, devem ficar acima do normal em toda a região Sudeste.
Isso significa um inverno menos rigoroso em comparação com anos de La Niña, mas com maior instabilidade e mais dias de chuva do que o normal para a estação.
Entre julho e agosto, massas de ar frio mais intensas podem provocar novas quedas de temperatura, com possibilidade de geada em áreas do sul e leste do estado e no interior paulista.
A Defesa Civil recomenda acompanhar os alertas pelos canais oficiais. Em situações de emergência, o acionamento pode ser feito pelo telefone 199.
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