Chuvas em MG: 'Teremos volume importante de chuvas até o fim da semana', diz chefe da Defesa Civil

Por Mateus Omena 27 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Chuvas em MG: 'Teremos volume importante de chuvas até o fim da semana', diz chefe da Defesa Civil

O coordenador estadual da Defesa Civil, coronel Paulo Rezende, declarou nesta sexta-feira, 27, que há previsão de chuvas intensas na Zona da Mata mineira até o fim da semana, em meio ao cenário de impactos provocados pelos temporais.

Segundo atualização divulgada pela Polícia Civil de Minas Gerais, nesta sexta-feira, 26, o número de mortos chegou a 68 na região. Em entrevista coletiva, o coordenador solicitou que moradores, principalmente os que vivem em áreas classificadas como de risco, sigam as orientações oficiais.

"A gente vive um momento de extremos climáticos. A gente consegue emitir o alerta a tempo, mas a gente precisa que as pessoas levem a sério os alertas, saiam das áreas de risco e não retornem. A gente consegue emitir os alertas, mas há imprevisibilidade sobre a forma como ela [a chuva] vai cair em determinado local. Mas a gente sabe que terá volume importante de chuvas até o fim da semana, e a gente precisa que a população adote comportamento de autoproteção", declarou Rezende.

Rezende orientou a população a realizar cadastro no sistema estadual de alertas e ativar a funcionalidade que bloqueia o celular em casos de aviso classificado como severo ou extremo. Ele afirmou que as equipes operam com maquinário específico e estrutura mobilizada, mas indicou que o contexto exige cautela.

"Mesmo com esse trabalho de restabelecimento da normalidade, o mais importante é preservar vidas. É momento de ter paciência porque a chuva continua e trava a gente em algumas coisas, mas quero garantir a todos o máximo senso de urgência. Estamos atendendo a todos os municípios e mobilizando esforços, às vezes demora um pouco. Nosso primeiro esforço é o emergencial", disse ele, ao citar a distribuição de kits de higiene, de limpeza e de dormitório, entre outros produtos.

No Corpo de Bombeiros, o coronel Joselito Oliveira de Paula detalhou que, até o início da tarde desta sexta-feira, 27, 58 corpos haviam sido resgatados em Juiz de Fora e seis em Ubá, totalizando 64 vítimas localizadas pelas equipes. Outras pessoas foram socorridas por terceiros e levadas a unidades hospitalares, mas não resistiram, o que explica a diferença em relação ao balanço da Polícia Civil.

As buscas seguem por cinco desaparecidos, sendo três em Juiz de Fora e dois em Ubá. De acordo com o oficial, os trabalhos contam com apoio de cães farejadores, drones e aeronaves.

"Em Ubá as buscas seguem continuamente, tem vários militares percorrendo o rio atrás dos dois corpos pendentes. Há drones, aeronaves, mas embarcação ainda não, por questão de segurança. Mas há bombeiros caminhando pelo leito em busca visual, e cães foram acionados. É difícil falar em expectativa [de quando acabará a operação]. Nossa técnica é bater todo o terreno. Enquanto não vasculharmos toda a área, não vai ser encerrada a operação", ressaltou ele aos jornalistas.

O coronel também fez alerta sobre a atuação de civis em áreas consideradas críticas.

"É um trabalho de risco, é preciso haver profissionais preparados para entrar na chamada zona quente. Envolve técnica e muito risco. Tem todo um treinamento especializado. Dependendo do risco, não é todo bombeiro militar que entra. Se tem até bombeiro especializado para isso, que dirá um civil com boa vontade. Toda ajuda é bem-vinda, mas é preciso consultar os órgãos para saber como ajudar", destacou.

A Polícia Civil de Minas Gerais ampliou o número de peritos deslocados para a região e estruturou, em uma delegacia, um ponto para coleta de DNA de familiares de desaparecidos, para acelerar processos de identificação.

Mortes e destruições

O total de mortos em decorrência da chuva que atingiu Juiz de Fora (MG), na Zona da Mata, passou de 58 para 62[/grifar], conforme balanço divulgado nesta sexta-feira, 27, pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG).

Com a confirmação de seis óbitos em Ubá (MG), município da mesma região, o número geral de vítimas do desastre climático chegou a 68.

Os dados constam na atualização oficial publicada pela PCMG nesta sexta-feira, 27.

Estado de calamidade

O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional reconheceu nesta terça-feira, 24, estado de calamidade pública em Juiz de Fora (MG), após fortes chuvas registradas desde a noite de segunda-feira, 23.

A decisão ocorre após registros de desabamentos e deslizamentos de terra no município da Zona da Mata mineira. De acordo com o ministério, equipes federais iniciam ainda nesta terça-feira ações de socorro e ajuda humanitária. A Defesa Civil Nacional opera em nível de alerta máximo na região.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também disse que o governo federal já reconheceu o estado de calamidade em Juiz de Fora (MG) e que o decreto será publicado no Diário Oficial da União ainda nesta terça-feira.

"Durante escala de viagem em Abu Dhabi, tomei conhecimento da situação das famílias da Zona da Mata Mineira após as fortes chuvas das últimas horas. E determinei pronta mobilização do Governo do Brasil para auxiliar a população da região. Uma equipe de coordenação da Força Nacional do SUS já está a caminho. E a Defesa Civil Nacional, além de já ter enviado profissionais à Zona da Mata, trabalha em regime de alerta máximo e em permanente contato com a Defesa Civil Mineira", disse o presidente, em uma publicação no X.

E reforçou: "Já reconhecemos o estado de calamidade em Juiz de Fora – que será publicado em Diário Oficial ainda hoje. Nas próximas horas – e dias – seguiremos de prontidão para agir com a velocidade e a força que o momento exige. Nosso foco é garantir a assistência humanitária, o restabelecimento dos serviços básicos, o auxílio às pessoas desabrigadas e o suporte à reconstrução".

Durante escala de viagem em Abu Dhabi, tomei conhecimento da situação das famílias da Zona da Mata Mineira após as fortes chuvas das últimas horas. E determinei pronta mobilização do Governo do Brasil para auxiliar a população da região. Uma equipe de coordenação da Força…

— Lula (@LulaOficial) February 24, 2026

Na terça-feira, oito técnicos do Grupo de Apoio a Desastres (GADE) foram deslocados para a cidade, acompanhados do secretário nacional de Defesa Civil, Wolnei Wolff. O grupo atua na avaliação de danos, levantamento de necessidades e apoio à coordenação local das respostas emergenciais.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu aviso de “Grande Perigo” para acumulado de chuva em [grifar]607 cidades das regiões Sudeste, Sul e Nordeste. O alerta começou às 9h45 desta terça-feira, 24, e segue válido até as 23h59 de sexta-feira, 27.

Ajuda aos desabrigados e antecipação de benefícios

O presidente em exercício, Geraldo Alckmin, anunciou a antecipação do pagamento do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) para famílias atingidas pelas fortes chuvas em municípios de Minas Gerais desde ontem. A medida busca assegurar acesso imediato aos recursos em meio aos impactos provocados pelos temporais.

O governo federal também informou que adotará repasse financeiro às prefeituras das cidades afetadas. Serão destinados R$ 800 às prefeituras por cada pessoa desabrigada, para viabilizar suporte emergencial e aquisição de mantimentos.

A antecipação dos benefícios e o envio de recursos adicionais integram o conjunto de ações emergenciais para atendimento à população atingida.

"O Ministério do Desenvolvimento Social vai liberar recursos de R$ 800 por pessoa desabrigada. Nós temos centenas de pessoas desabrigadas. Esse recurso é para a prefeitura comprar colchão, mantimento, roupa, enfim, para apoiar. E para as famílias, será antecipado o pagamento do Bolsa Família e do BPC", detalhou Geraldo Alckmin em coletiva de imprensa.

Ele também afirmou que a ajuda às vítimas conta com a integração entre ministérios e o suporte dos militares. "Defesa Civil, Ministério da Defesa, Exército, Saúde, todo mundo trabalhando e, depois [a prioridade é] a recuperação dos municípios da região".

No pronunciamento, o presidente em exercício ressaltou que oito municípios foram afetados pelas fortes chuvas. Até o momento, não há definição sobre o volume total de recursos que será destinado às cidades atingidas.

De acordo com Alckmin, o cálculo dependerá das informações enviadas pelas prefeituras. O valor final será estabelecido conforme os municípios apresentarem o número de pessoas desabrigadas, mas esse dado que ainda não foi consolidado.

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