Cientistas descobrem 24 novas espécies de animais no fundo do Pacífico

Por Da Redação 29 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Cientistas descobrem 24 novas espécies de animais no fundo do Pacífico

Cientistas identificaram 24 novas espécies de anfípodes (pequenos crustáceos) em águas profundas da Zona de Clarion-Clipperton, no Oceano Pacífico. Entre os achados, está a descoberta de uma nova superfamília.

Novas espécies

Os resultados foram publicados na última semana, em uma edição especial da revista ZooKeys, e representam um avanço importante na compreensão da biodiversidade da região. A área, que se estende por cerca de seis milhões de quilômetros quadrados entre o Havaí e o México, é uma das menos estudadas do planeta.

O estudo foi liderado por Anna Jażdżewska, da Universidade de Lodz, e Tammy Horton, do Centro Nacional de Oceanografia. Ao todo, 16 pesquisadores participaram de um workshop colaborativo realizado em 2024, focado na identificação e descrição das espécies coletadas na região.

As 24 novas espécies de anfípodes identificadas / Centro Nacional de Oceanografia, Southampton (Centro Nacional de Oceanografia, Southampton)

Nova família

Além de catalogar as novas espécies, a equipe identificou uma nova família, chamada Mirabestiidae, e uma nova superfamília, Mirabestioidea, que representam ramos inéditos na árvore evolutiva. Também foram descritos dois novos gêneros e registradas ocorrências em profundidades nunca antes observadas para alguns grupos.

Os anfípodes encontrados incluem predadores e necrófagos adaptados às condições extremas do fundo do mar, como alta pressão, escuridão total e escassez de nutrientes. Segundo os pesquisadores, mais de 90% das espécies da região ainda não foram formalmente descritas, o que indica um enorme potencial para novas descobertas.

Uma década de descobertas

O trabalho integra a Iniciativa de Conhecimento Sustentável dos Fundos Marinhos, da Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos, que pretende descrever mil novas espécies até o fim da década. A pesquisa também reforça a importância da taxonomia, área responsável por classificar e entender os organismos e seus papéis no ecossistema.

A colaboração internacional foi um dos pontos-chave do projeto, reunindo instituições de diferentes países. Segundo os autores, esse modelo acelerou o processo de descoberta e mostrou que iniciativas coletivas podem ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade marinha.

Além dos avanços científicos, o estudo também chama atenção pela forma como as espécies foram nomeadas. Muitos dos novos organismos receberam nomes em homenagem a pesquisadores, familiares e até referências culturais, refletindo o caráter humano e colaborativo da ciência.

Com o ritmo atual de cerca de 25 novas espécies descritas por ano, os cientistas estimam que a fauna de anfípodes da região poderá ser amplamente catalogada na próxima década. Até lá, o oceano profundo segue como uma das últimas fronteiras do conhecimento científico.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: