Cientistas descobrem sistema planetário 'impossível' — e ele desafia tudo o que sabemos

Por Maria Luiza Pereira 22 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Cientistas descobrem sistema planetário 'impossível' — e ele desafia tudo o que sabemos

Astrônomos descobriram um sistema planetário tão estranho que ele pode forçar a ciência a rever uma das teorias mais aceitas sobre a formação dos planetas. A descoberta foi apresentada em um estudo publicado na revista científica Science e conduzido por pesquisadores da Universidade de Warwick em parceria com a Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês).

O sistema gira em torno da estrela LHS 1903, uma anã vermelha menor e mais fria que o Sol. Até aí, nada fora do comum. O problema surgiu quando os cientistas perceberam a organização dos planetas ao redor dela.

Um sistema 'de trás para frente'

Segundo os modelos tradicionais, planetas rochosos se formam perto da estrela, enquanto gigantes gasosos surgem mais distantes, em regiões frias onde gases conseguem se acumular. É exatamente o que acontece no Sistema Solar, mas o sistema LHS 1903 parece ignorar completamente essa lógica.

Os pesquisadores identificaram quatro planetas. Os três primeiros pareciam seguir o padrão esperado: um mundo rochoso mais próximo da estrela e dois planetas gasosos logo depois. Porém, um quarto planeta, localizado ainda mais distante, surpreendeu os cientistas ao também apresentar características rochosas.

“Isso faz deste um sistema invertido, com uma ordem rochoso-gasoso-gasoso-e depois rochoso novamente”, explicou Thomas Wilson, pesquisador da Universidade de Warwick e principal autor do estudo. “Planetas rochosos normalmente não se formam tão longe de sua estrela”, acrescentou.

Cientistas testaram todas as explicações

Inicialmente, os astrônomos cogitaram hipóteses mais convencionais. Uma delas sugeria que o planeta distante poderia ter sido gasoso no passado e perdido sua atmosfera após uma colisão colossal. Outra possibilidade envolvia mudanças orbitais ao longo de bilhões de anos.

As simulações feitas pela equipe, porém, praticamente descartaram essas explicações. A solução encontrada pelos pesquisadores foi ainda mais intrigante: talvez os planetas não tenham nascido ao mesmo tempo.

Segundo o estudo, o sistema pode ter se formado de maneira sequencial, com um planeta surgindo após o outro em diferentes fases da vida da estrela. Essa hipótese, chamada de “inside-out planet formation”, existe há cerca de uma década, mas ainda carecia de evidências observacionais fortes.

“Quando esse planeta externo se formou, o sistema talvez já tivesse perdido quase todo o gás necessário para a formação planetária”, afirmou Wilson. “Ainda assim, ali está um pequeno mundo rochoso, desafiando as expectativas.”

Nosso Sistema Solar pode não ser o padrão

Os dados foram obtidos com auxílio do satélite CHEOPS, da Agência Espacial Europeia, além de telescópios espaciais e observatórios terrestres. Para os cientistas, a descoberta mostra que o Universo pode ser muito mais diverso e imprevisível do que os modelos atuais sugerem.

“Historicamente, nossas teorias sobre formação planetária são baseadas no que vemos no Sistema Solar”, afirmou Isabel Rebollido, pesquisadora da ESA. “À medida que descobrimos sistemas cada vez mais diferentes, começamos a revisitar essas teorias", completa.

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