Cientistas descobrem 'torção' magnética gigante na Via Láctea

Por Vanessa Loiola 23 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Cientistas descobrem 'torção' magnética gigante na Via Láctea

Uma gigantesca distorção magnética escondida nas profundezas da Via Láctea pode mudar a forma como cientistas entendem a estrutura e a evolução da galáxia. Astrônomos descobriram uma espécie de “torção” invisível no campo magnético galáctico ao criar um dos mapas mais detalhados já feitos da região.

A descoberta foi liderada por pesquisadores da University of Calgary e publicada nos periódicos científicos The Astrophysical Journal e The Astrophysical Journal Supplement Series.

O que os cientistas encontraram na Via Láctea?

Os pesquisadores identificaram uma inversão magnética incomum no chamado Braço de Sagitário, uma das estruturas espirais da Via Láctea. Em vez de seguir o mesmo padrão do restante da galáxia, o campo magnético dessa região parece mudar de direção de forma diagonal.

Segundo os cientistas, o a estrutura geral da Via Láctea gira no sentido horário. No entanto, dentro do Braço de Sagitário, essa orientação parece se inverter e passar a girar no sentido anti-horário.

A descoberta surpreendeu os pesquisadores porque ninguém entendia exatamente como essa transição acontecia dentro da estrutura galáctica. A doutoranda Rebecca Booth desenvolveu um modelo tridimensional que sugere que essa inversão forma uma gigantesca estrutura diagonal invisível atravessando parte da galáxia.

Como cientistas mapearam o campo magnético da galáxia?

Para realizar o estudo, os astrônomos utilizaram um novo radiotelescópio instalado no Dominion Radio Astrophysical Observatory, no Canadá. O instrumento permitiu mapear o céu do hemisfério norte em diferentes frequências de rádio, gerando um dos retratos mais detalhados já produzidos do ambiente magnético invisível da Via Láctea.

As observações fazem parte do projeto internacional GMIMS (Global Magneto-Ionic Medium Survey), criado para estudar o campo magnético galáctico com precisão inédita.

Segundo os pesquisadores, esse novo conjunto de dados poderá ajudar cientistas do mundo inteiro a entender melhor a arquitetura magnética da galáxia.

Diagrama da Via Láctea, mostrando o campo magnético invertido proveniente do Braço de Sagitário. Foto: Universidade de Calgary

Rotação de Faraday

Os pesquisadores analisaram um fenômeno chamado rotação de Faraday, efeito que ocorre quando ondas de rádio atravessam regiões do espaço preenchidas por elétrons e campos magnéticos. Durante esse percurso, as ondas sofrem pequenas alterações que permitem aos astrônomos rastrear estruturas magnéticas invisíveis espalhadas pela galáxia.

Os cientistas compararam o efeito ao visual de um canudo aparentemente “torto” dentro de um copo d’água, causado pela refração da luz. No caso da Via Láctea, porém, o fenômeno envolve ondas de rádio interagindo com partículas e campos magnéticos no espaço interestelar.

Segundo os autores, isso permitiu identificar detalhes da estrutura magnética galáctica que antes permaneciam ocultos.

Por que o campo magnético da Via Láctea é importante?

Os cientistas afirmam que o campo magnético exerce papel essencial na estabilidade da galáxia. Segundo a pesquisadora Jo-Anne Brown, da University of Calgary, sem essa estrutura a Via Láctea poderia colapsar sob efeito da própria gravidade.

Além de influenciar a estrutura galáctica, esses campos também afetam formação de estrelas, movimentação de partículas cósmicas e distribuição de matéria interestelar.

Descoberta pode mudar modelos sobre evolução galáctica

Dessa forma, os pesquisadores acreditam que a nova inversão magnética pode ajudar cientistas a compreender melhor como a Via Láctea evoluiu e como seu campo magnético mudou ao longo do tempo.

Segundo os autores, a descoberta representa uma nova pista importante sobre a arquitetura invisível da galáxia e pode ajudar a criar modelos mais precisos sobre sua evolução futura.

Os cientistas também acreditam que estudos futuros poderão revelar se estruturas semelhantes existem em outras galáxias espirais espalhadas pelo Universo.

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