Cientistas estão perto de criar relógio mais preciso do mundo

Por Vanessa Loiola 25 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Cientistas estão perto de criar relógio mais preciso do mundo

Uma tecnologia estudada há décadas, os chamados relógios nucleares, está cada vez mais próxima de se tornar realidade. Esses dispositivos prometem medir o tempo com uma precisão inédita, superior até aos atuais relógios atômicos, considerados hoje os mais exatos do mundo.

De acordo com a revista científica Nature, a expectativa de cientistas é que os primeiros testes práticos desse tipo de relógio aconteçam já em 2026, após avanços recentes na medição de transições de energia no núcleo de átomos.

O que é um relógio nuclear?

Diferentemente dos relógios atômicos, que medem o tempo com base no comportamento de elétrons, os relógios nucleares utilizam transições de energia dentro do núcleo atômico.

Esse processo tende a ser mais estável e menos sensível a interferências externas, o que pode resultar em uma medição de tempo ainda mais precisa.

Atualmente, os melhores relógios atômicos ópticos chegam a perder apenas um segundo a cada dezenas de bilhões de anos. Os modelos nucleares, no entanto, podem superar esse nível de precisão.

Tório-229 é a chave para a nova tecnologia

O principal candidato para viabilizar essa inovação é o isótopo tório-229, que possui uma transição de energia nuclear incomum e adequada para medições de altíssima precisão.

Após décadas de incerteza, cientistas conseguiram identificar essa transição com grande precisão em 2024, utilizando tecnologias a laser avançadas. Esse avanço abriu caminho para o desenvolvimento de relógios nucleares funcionais.

Desafios técnicos ainda impedem aplicação prática

Apesar do progresso, ainda existem obstáculos importantes. Um dos principais desafios é desenvolver lasers ultravioleta estáveis e potentes, capazes de excitar a transição do tório-229.

Outro ponto crítico é garantir uma fonte estável do material radioativo, seja em cristais sólidos ou em armadilhas de íons, técnica que permite maior precisão, mas é mais complexa.

Pesquisadores ao redor do mundo trabalham em soluções para esses problemas, com diferentes abordagens sendo testadas simultaneamente.

Além da precisão extrema, os relógios nucleares têm potencial para serem mais compactos e resistentes a interferências, o que abre caminho para aplicações práticas.

Entre os possíveis usos estão:

Especialistas avaliam que a tecnologia pode, no futuro, ter aplicações comerciais e científicas relevantes.

Com equipes de pesquisa na Europa, Ásia e Estados Unidos avançando simultaneamente, a corrida pelo primeiro relógio nuclear funcional está em fase decisiva.

A expectativa é que medições iniciais já possam ser realizadas em breve, marcando um novo capítulo na forma como o tempo é medido com precisão.

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