Cientistas mantêm útero humano vivo fora do corpo pela primeira vez

Por Maria Luiza Pereira 12 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Cientistas mantêm útero humano vivo fora do corpo pela primeira vez

“Estamos abrindo uma nova janela para compreender a reprodução humana.” Foi assim que o pesquisador Carlos Simón descreveu o experimento que conseguiu manter um útero humano vivo fora do corpo pela primeira vez. O avanço, revelado pela revista MIT Technology Review, é considerado um marco para estudos sobre fertilidade, gravidez e doenças ginecológicas.

O que os cientistas querem descobrir?

A pesquisa foi conduzida pela Fundação Carlos Simón, em Valência, na Espanha. Os cientistas utilizaram um útero doado após uma histerectomia e o conectaram a uma máquina de perfusão chamada “Mother”, criada para reproduzir funções essenciais do organismo humano.

O sistema faz o bombeamento contínuo de sangue enriquecido com oxigênio e nutrientes, além de remover resíduos metabólicos. Durante 24 horas, o órgão permaneceu funcional fora do corpo, mantendo atividade celular e circulação preservada.

Segundo os pesquisadores, o objetivo do experimento não é desenvolver uma gravidez artificial, mas compreender etapas ainda misteriosas da reprodução humana. Uma das prioridades é investigar o momento em que o embrião se implanta no útero, fase considerada decisiva para o sucesso da fertilização in vitro.

“É como observar um ecossistema humano funcionando em tempo real”, afirmou Simón ao comentar o potencial da tecnologia. Para a equipe, o método pode permitir análises muito mais precisas do que aquelas feitas atualmente em culturas de células ou testes em animais.

Ajuda no estudo de doenças relacionadas ao útero

Os cientistas acreditam que a técnica poderá ajudar no estudo de condições como endometriose, miomas, inflamações uterinas e infertilidade sem causa aparente. Hoje, muitas dessas doenças ainda têm mecanismos pouco compreendidos pela medicina.

Antes de chegar ao experimento com tecido humano, os pesquisadores passaram quatro anos realizando testes em úteros de ovelhas. Esse período serviu para calibrar fluxo sanguíneo, temperatura, pressão e oxigenação do sistema artificial.

A próxima meta da equipe é ainda mais ambiciosa: manter o órgão funcional por cerca de 28 dias, o equivalente a um ciclo menstrual completo. Isso permitiria observar alterações hormonais e biológicas do útero em detalhes inéditos.

Questões éticas

Segundo os pesquisadores, o uso de embriões humanos está fora dos planos da pesquisa por questões éticas. Em vez disso, a equipe pretende trabalhar com estruturas semelhantes a embriões produzidas em laboratório a partir de células-tronco. Embora imitem características do desenvolvimento embrionário humano, elas são criadas sem o uso de óvulos ou espermatozoides.

Mesmo assim, pesquisadores enxergam o experimento como uma oportunidade rara de estudar processos que permanecem difíceis de observar diretamente dentro do corpo humano. A expectativa é que a descoberta ajude não apenas mulheres que enfrentam infertilidade, mas também o desenvolvimento de tratamentos mais eficazes para diferentes doenças ginecológicas.

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