Cientistas resgatam áudio de 1950 e descobrem 'segredo' das baleias-jubarte

Por Vanessa Loiola 13 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Cientistas resgatam áudio de 1950 e descobrem 'segredo' das baleias-jubarte

Um áudio gravado em 1949 e guardado por décadas em um arquivo pode ser o registro mais antigo preservado do canto de uma baleia jubarte (Megaptera novaeangliae). A gravação foi feita em março daquele ano, nas águas quentes do Atlântico, perto das Bermudas.

O registro foi identificado durante a digitalização de materiais históricos pela Instituição Oceanográfica Woods Hole (WHOI), em Massachusetts, nos Estados Unidos, e é anterior ao período em que pesquisadores já conseguiam reconhecer com clareza os sons emitidos por baleias.

Na época, a instituição destaca que a equipe não tinha certeza do que estava ouvindo e o material acabou não sendo devidamente arquivado.

Disco de 1949

A gravação foi feita em um Gray Audograph, equipamento lançado em 1946 e usado principalmente em escritórios para gravação de ditados. O dispositivo registrava o áudio em discos finos de plástico, em vez de fita magnética, o que ajudou o material a sobreviver em boas condições.

Quando o registro foi feito, pesquisadores estavam a bordo do navio de pesquisa R/V Atlantis, perto das Bermudas, testando sistemas de sonar, medindo volumes de explosivos e conduzindo outros experimentos acústicos. O trabalho fazia parte de uma parceria com o Escritório de Pesquisa Naval dos Estados Unidos.

Os avanços em tecnologia de áudio ainda estavam no início e começavam a permitir gravações de sons subaquáticos. Segundo os pesquisadores, o canto da baleia jubarte provavelmente foi registrado com a chamada “mala” do WHOI, um dos primeiros sistemas experimentais de gravação acústica subaquática.

Ruído no oceano

Especialistas em bioacústica marinha destacam que quase não existem registros preservados desse período. Muitas gravações do fim da década de 1940 se perderam ou ficaram inacessíveis, em parte pela deterioração das fitas, já que a ciência ainda não conseguia identificar com precisão quais sons oceânicos eram produzidos por mamíferos marinhos.

Pesquisadores do WHOI afirmam que o áudio de 1949 pode ajudar a entender como os sons e cantos das baleias jubarte mudaram ao longo do tempo. O registro também pode servir como base para medir como a atividade humana molda a paisagem sonora do oceano, que hoje é considerada mais barulhenta, com aumento tanto no número quanto nos tipos de fontes sonoras.

A equipe destaca que os discos sobreviventes do audógrafo são um exemplo raro e possivelmente singular de registros antigos de escuta oceânica preservados. Segundo os pesquisadores, isso só foi possível por causa do material e da preservação cuidadosa ao longo das décadas.

Robôs que detectam baleias

Desde 1949, as ferramentas para ouvir o oceano mudaram de forma significativa. Atualmente, cientistas do WHOI utilizam boias acústicas passivas, planadores Slocum e hidrofones autônomos para monitorar a acústica oceânica. Esses dados são usados para estudar a vida marinha, rastrear impactos humanos no oceano e compreender mudanças ambientais a longo prazo.

Um dos projetos citados pela instituição é o Robots4Whales, voltado à proteção de mamíferos marinhos. A iniciativa utiliza robôs oceânicos autônomos equipados com o Instrumento Digital de Monitoramento Acústico (DMON), capaz de detectar baleias em tempo real.

Os DMONs operam com um sistema de identificação e classificação de baixa frequência. Eles analisam como a frequência do som varia ao longo do tempo, criam traçados a partir de espectrogramas e classificam os sons com base em um banco de dados de vocalizações conhecidas. Os resultados podem ser enviados para a costa via satélite em tempo quase real.

Segundo pesquisadores do WHOI, gravações subaquáticas são uma ferramenta importante para compreender e proteger populações vulneráveis de baleias. Ao ouvir o oceano, cientistas podem detectar baleias em locais onde elas não são facilmente vistas e acompanhar como ruídos de navios e sons industriais alteram a paisagem sonora, afetando a forma como esses animais se comunicam, navegam e sobrevivem.

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