CLT é preferência da Geração Z, mas perde força entre profissionais mais experientes

Por Layane Serrano 1 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
CLT é preferência da Geração Z, mas perde força entre profissionais mais experientes

A carteira assinada segue como o modelo mais desejado entre os brasileiros, mas, quando se olha por geração, a preferência pela CLT revela um retrato mais complexo sobre como o trabalho vem sendo ressignificado no país.

Um levantamento da Serasa Experian mostra que 78,7% dos brasileiros que estão em busca de emprego preferem o regime CLT. Entre os mais jovens, esse número dispara: 92,6% da Geração Z optam pela carteira assinada, evidenciando que a estabilidade ainda é central no início da vida profissional.

Ao longo da carreira, porém, essa lógica perde força. Entre Millennials, a preferência cai para 86,8%. Na Geração X, chega a 82,9%. Já entre Baby Boomers, o índice despenca para 50%, dando lugar a formatos mais flexíveis, como trabalho liberal (23,3%), terceirização (16,7%) e contratos PJ (10%).

Para Fernanda Guglielmi, gerente de Recursos Humanos da Serasa Experian, o momento da decisão ajuda a explicar esse comportamento.

“Quando as pessoas estão efetivamente procurando trabalho, o vínculo formal ainda aparece como principal referência. A previsibilidade do contrato segue sendo determinante nesse momento, especialmente no início da carreira, mas convive com uma abertura crescente à reinvenção profissional ao longo do tempo”, afirma.

A mudança tem uma relação com o cenário atual no Brasil. O número de brasileiros inadimplentes atingiu um recorde em fevereiro de 2026: 81,7 milhões de endividados, é o que mostra um estudo do ‘Mapa da Inadimplência’ da Serasa, um crescimento de 38% em 10 anos. Segundo Guglielmi, embora o levantamento não trate diretamente de endividamento, ele ajuda a entender o contexto em que essas decisões são tomadas.

“Em um cenário de maior pressão financeira sobre as famílias, a busca por vínculos formais tende a crescer, já que a previsibilidade de renda passa a ser um fator importante para organizar o orçamento e lidar com compromissos financeiros”, afirma a gerente de Recursos Humanos da Serasa Experian.

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Reinvenção cresce com a experiência

Se a estabilidade marca o começo da trajetória, a flexibilidade ganha espaço conforme a carreira avança, e isso aparece na disposição para mudar de área.

Segundo o estudo, 69,1% dos brasileiros dizem estar abertos a mudar de carreira nos próximos anos. O dado chama atenção porque esse movimento é ainda mais forte entre os mais experientes: 82,3% dos Baby Boomers afirmam estar dispostos a se reinventar, acima da Geração X (70,9%), Millennials (69,4%) e Geração Z (56,1%).

“Os dados mostram que a reinvenção profissional não está restrita ao início da carreira e ganha força entre os profissionais mais experientes, acompanhando mudanças nas prioridades e na forma como eles se relacionam com o trabalho ao longo do tempo”, diz Guglielmi.

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Carreiras mais longas e com novos significados

O estudo também indica uma mudança importante na forma como os brasileiros enxergam o tempo de permanência no mercado.

Entre os Baby Boomers, 36,8% afirmam que pretendem trabalhar enquanto tiverem saúde e disposição - um indicativo de que o trabalho passa a ter um papel que vai além da renda, envolvendo propósito, rotina e bem-estar.

Nas gerações mais jovens, a permanência ainda aparece mais vinculada à idade, mas já aponta para trajetórias mais longas. Entre os profissionais da Geração Z, 29,7% se veem ativos até os 60 anos. Entre Millennials, esse percentual é de 34,8%, enquanto na Geração X, 42,3% projetam atuação entre os 60 e 70 anos.

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O que sustenta a longevidade profissional

Para seguir ativo ao longo da vida, os profissionais destacam três fatores principais:

Além disso, 53,1% apontam fatores pessoais como determinantes para continuar trabalhando, enquanto aspectos ligados às empresas (25%) e ao contexto social (19,5%) também influenciam essa decisão.

Na prática, os dados revelam uma transformação silenciosa: a estabilidade continua sendo prioridade na entrada no mercado, mas dá lugar a trajetórias mais flexíveis e duradouras ao longo do tempo.

“Na prática, vemos que a relação com o trabalho combina a busca por estabilidade no início com trajetórias mais flexíveis e duradouras ao longo da vida profissional”, diz Guglielmi.

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