Coachella não é apenas um festival, mas vitrine para marcas e creators

Por Alessandra Monaco 20 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Coachella não é apenas um festival, mas vitrine para marcas e creators

Um dos maiores festivais do mundo, o Coachella, reuniu cerca de 125 mil pessoas por dia, totalizando um público estimado de, aproximadamente, 750 mil ao longo dos dois finais de semana (de 10 a 12 e de 17 a 19 de abril de 2026). O evento teve artistas renomados, como Justin Bieber, Madonna, Billie Eilish, Olivia Rodrigo e Sabrina Carpenter, além de artistas brasileiros como Luísa Sonza e Mochakk.

Para marcas e creators, o Coachella é uma das poucas oportunidades para a visibilidade, cultura e consumo em um só momento. A cobertura orgânica gerada pelo evento tem alcance global, e quem aparece, seja com uma ativação de marca, uma presença ou uma captação de conteúdo, está comprando um ativo que vai além de assistir a shows.

Os creators utilizam o poder do Coachella como uma plataforma estratégica de posicionamento. Estar presente no festival ajuda a consolidar sua imagem como referência dentro de sua geração ou nicho, ampliando relevância e, consequentemente, fortalecendo seu poder de negociação em futuras parcerias com marcas. Entre os brasileiros presentes, destacaram-se Camila Coelho, Gabi Lopes e Álvaro.

Mídia espontânea e casos de destaque

A presença ao lado de celebridades e creators é o caminho mais eficiente para gerar mídia espontânea. Quando uma personalidade é fotografada perto de uma ativação ou vive aquela experiência de verdade, o conteúdo se espalha de forma natural, sem precisar de mídia paga.

De acordo com o Launchmetrics, o primeiro fim de semana gerou US$ 870 milhões em MIV, significa Media Impact Value, métrica que mensura o valor financeiro equivalente gerado por menções, publicações e aparições de uma marca na mídia, incluindo redes sociais, imprensa e creators.

A Rhode, fundada por Hailey Bieber e adquirida pela E.l.f. Beauty em 2025, é um bom exemplo de estratégia bem executada. A marca capturou US$ 10 milhões do MIV total, com creators respondendo por US$ 3,3 milhões. Sua ativação, no dia 11 de abril, sábado, era exclusiva e apenas por convite e contava com uma sala de retoque e uma cabine com músicas do Justin Bieber. Dois dias depois do show, a marca lançou a coleção The Rhode x The Biebers.

Além da Rhode, outra marca que se destacou pela estratégia e posicionamento foi o Pinterest. Por ser uma plataforma amplamente utilizada tanto por pessoas em busca de inspirações de looks para festivais quanto por marcas que buscam referências para ativações e experiências replicáveis em diferentes contextos, sua presença no Coachella fez total sentido.

A ativação neste ano seguiu um caminho diferente do anterior. Em 2025 a proposta era mais imersiva, mas nesse ano o Pinterest incentivou o público a se desconectar e aproveitar o momento sem o celular.

A estratégia conversa diretamente com o comportamento do usuário: segundo a plataforma, as buscas por “estética analógica” cresceram 260%. Ao sair do digital para se posicionar no físico, a marca consolida seu papel como uma fonte de inspiração que se materializa no mundo real.

De acordo com Sarah Pollack, chefe global de marketing ao consumidor do Pinterest, “este ano, estamos convidando os frequentadores do festival a pararem de rolar a página de suas vidas e começarem a vivê-las”, afirmou em comunicado à imprensa.

O Coachella concentra a atenção de uma forma que quase nada mais consegue alcançar nessa magnitude. É um momento de descoberta de tendências, novidades e divulgação de produtos e decisões de compra, que são influenciadas à distância, mas não por anúncios e sim por pessoas, que se tornam distribuidores voluntários de conteúdo.

A proposta de uma marca no festival não é falar de suas funcionalidades, mas conseguir expressar o seu estilo de vida, criar uma comunidade e trazer o público mais perto, por meio de experiências que transformam o contato com a marca em memória.

Vale ressaltar que para investir em uma ativação desse tamanho, a marca precisa estar bem consolidada no mercado, tanto em posicionamento quanto em maturidade de audiência, caso contrário, o efeito pode ser o oposto do esperado, comprometendo a percepção de valor em vez de fortalecê-la.

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