Cogna: maior alta do Ibovespa em 2025 sente impacto de 'sazonalidades' no 4º tri

Por Mitchel Diniz 12 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Cogna: maior alta do Ibovespa em 2025 sente impacto de 'sazonalidades' no 4º tri

A Cogna Educação encerrou 2025 com crescimento do lucro de quase dois dígitos e avanço na geração de caixa, consolidando a busca por rentabilidade após os últimos anos de reestruturação. O quarto trimestre, por sua vez, foi impactado por sazonalidades e pressões pontuais, como a postergação de receite que deveria ser reconhecida no período, mas ficou para 2026, e a anulação de reversão de contingência que distorceu a base de comparação.

A companhia de educação teve a maior alta nominal do Ibovespa em 2025  e ainda se mantinha entre no topo do ranking das ações que mais se valorizaram este ano, com 124% de valorização.

O lucro líquido da companhia nos três últimos meses do ano foi de R$ 220 milhões, alta de 84,9% em relação aos R$ 119 milhões registrados no mesmo período de 2024. No acumulado do ano, o lucro atingiu R$ 625,5 milhões, ante R$ 73,1 milhões em 2024, o que representa crescimento de 755,8% na comparação anual.

O lucro ajustado, que exclui efeitos não recorrentes registrados no quarto trimestre de 2024 — como reversões de contingências fiscais e reconhecimento de imposto diferido — cresceu 40,9% no trimestre, para R$ 279,4 milhões, e 176,4%.

A margem líquida, indicador que mostra qual parcela da receita efetivamente se transforma em lucro, recuou. No quarto trimestre, ficou em 10,0%, ante 11,9% no mesmo período de 2024. No acumulado de 2025, a margem líquida ficou em 8,9%, acima dos 1,1% registrados no ano anterior.

O Ebitda, indicador que mede o desempenho operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, somou R$ 742,2 milhões no quarto trimestre, queda de 26% em relação ao mesmo período de 2024. No acumulado de 2025, o Ebitda totalizou R$ 2,25 bilhões, com queda de 2,7% na comparação anual.

Considerando apenas as operações recorrentes, o Ebitda ajustado — ou Ebitda recorrente — alcançou R$ 769,1 milhões no quarto trimestre, recuo de 5,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. No acumulado de 2025, o indicador atingiu R$ 2,3 bilhões, avanço de 5,7% frente a 2024.

A receita líquida da companhia no quarto trimestre de 2025 somou R$ 2,2 bilhões, crescimento de 1,9% em relação ao mesmo período de 2024. No acumulado do ano, a receita alcançou R$ 7,02 bilhões, avanço de 9,3% na comparação anual.

Os resultados do trimestre foram impactados por um deslocamento no reconhecimento de receitas do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD). Parte das vendas de livros do Novo Ensino Médio, que tradicionalmente seriam contabilizadas no quarto trimestre, teve o cronograma de faturamento postergado pelo governo federal para o início de 2026. Com isso, cerca de R$ 166,6 milhões em receita deixaram de ser reconhecidos no 4T25, o que também reduziu o Ebitda do período em aproximadamente R$ 52,3 milhões. Segundo a companhia, o efeito é essencialmente temporal, já que parte dessas receitas começou a ser registrada no início de 2026.

Os investimentos da companhia avançaram. O capex total somou R$ 143,7 milhões no quarto trimestre, alta de 34,3% em relação ao mesmo período de 2024. No acumulado de 2025, os investimentos chegaram a R$ 490,5 milhões, crescimento de 26,5% na comparação anual. Os aportes foram direcionados principalmente para infraestrutura, tecnologia — incluindo a implementação de sistemas corporativos — e expansão da operação, com destaque para investimentos em cursos da área de saúde e na aquisição da Faculdade de Medicina de Dourados.

A companhia também apresentou evolução na geração de caixa operacional após investimentos (capex). No quarto trimestre, a geração de caixa operacional foi de R$ 335,3 milhões, praticamente estável em relação aos R$ 337,3 milhões registrados um ano antes. No acumulado de 2025, o indicador chegou a R$ 1,27 bilhão, alta de 22% na comparação anual.

Já a geração de caixa livre, que representa o caixa disponível após investimentos e despesas financeiras, foi de R$ 132,3 milhões no quarto trimestre, abaixo dos R$ 199,4 milhões do mesmo período de 2024. No acumulado do ano, porém, houve forte expansão: o fluxo de caixa livre atingiu R$ 716,2 milhões, crescimento de 81,1% em relação a 2024.

A dívida líquida da companhia encerrou dezembro em R$ 2,84 bilhões, redução de R$ 44,9 milhões frente ao quarto trimestre de 2024. A queda ocorreu mesmo com alocações relevantes de capital ao longo do ano, incluindo pagamento de dividendos, recompra de ações e a aquisição das ações remanescentes da Vasta, que foi "deslistada" da bolsa de Nova York.

A Cogna também realizou distribuições relevantes de dividendos ao longo do ano. Em abril de 2025, a companhia pagou R$ 120,8 milhões em dividendos, equivalentes a 25% do lucro líquido, conforme a política obrigatória prevista na Lei das Sociedades por Ações. Em dezembro, o conselho de administração aprovou ainda dividendos intermediários de R$ 120 milhões, pagos em fevereiro de 2026, reforçando a estratégia de retorno de capital aos acionistas após a retomada da rentabilidade da companhia.

Com a melhora na geração de caixa e a redução da dívida, a alavancagem financeira da Cogna — medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda — caiu para 1,21 vez no fim de 2025, ante 1,35 vez no mesmo período do ano anterior, indicando fortalecimento da estrutura de capital da companhia.

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