Colágeno na xícara de café? Nova tecnologia para fabricação de suplementos vira tendência
A obsessão por bem-estar agora começa nas primeiras horas do dia. Além dos vários suplementos e das refeições milimetricamente calculadas na dieta, chegou a vez do café ser a fonte de aditivos que ajudam na otimização do corpo. Entre esses aditivos, o colágeno é um dos que mais está fazendo sucesso.
OSegundo dados da consultoria Spate citados pela Vogue, o colágeno teve alta de 76,3% nas buscas no Google e no TikTok em comparação ao ano anterior. A categoria de bebidas funcionais com cafeína registrou cerca de 645,7 mil novas buscas no mesmo período.
Pós e cremes com colágeno para adicionar à xícara de todos os dias se multiplicaram nas prateleiras. Olive Kim, fundadora da marca americana Clöud Café, disse à Vogue que tanto o café quanto o chá já fazem parte da rotina dos consumidores, e incorporar colágeno à bebida elimina o passo extra do suplemento avulso.
A adesão de celebridades, como Jennifer Aniston — que contou à Vogue que adiciona uma colher de Vital Proteins ao café da manhã , Victoria Beckham e Cindy Crawford, cuja rotina matinal com café funcional viralizou no TikTok, ajudou a popularizar esses produtos.
Por que o colágeno?
Produzido naturalmente pelo organismo, o colágeno é a proteína que dá sustentação à pele, aos ossos, aos tendões e aos ligamentos. A partir dos 20 e poucos anos, sua produção começa a cair, fator que alimenta o interesse por reposição via suplementos.
A indústria também encontrou no ingrediente um apelo funcional. Extraído de subprodutos animais, como ossos e pele, o colágeno é processado para ficar neutro no sabor e fácil de incorporar a outros produtos. Em termos de custo, costuma ser mais barato do que outras fontes de proteína, como o soro do leite.
O que a ciência diz?
As evidências científicas ainda não corroboram todo o entusiasmo do mercado de suplementos quando se trata de colágeno. Aparecer nos rótulos como fonte de proteína, o aditivo tem qualidade proteica considerada baixa, pois falta a ele o triptofano, aminoácido que o organismo precisa para sintetizar e recuperar massa muscular, segundo informações do New York Times.
Ao NYT, o nutricionista Kevin Klatt, da Universidade de Toronto, explicou que sistemas científicos de avaliação proteica baseados em aminoácidos atribuem ao colágeno uma nota próxima de zero. Whey, ovos e soja ficam em níveis bem mais altos.
Quanto à promessa de saciedade, Heather Leidy, professora associada de ciências nutricionais da Universidade do Texas em Austin, afirmou ao NYT que os estudos disponíveis não demonstram que o colágeno auxilie nessa questão.
A maior revisão já feita sobre o tema, com quase 8 mil participantes, identificou benefícios para pele e osteoartrite no consumo contínuo. "O marketing muitas vezes se antecipa às evidências", disse à BBC Roshan Ravindran, coautor do estudo. Segundo o pesquisador, colágenoé um suplemento adjuvante de baixo risco para quem quer cuidar da pele e das articulações com o envelhecimento, mas não é um produto milagroso.
Suplementos viraram queridinhos dos que querem otimizar o autocuidado e ter resultados mais rápidos (Reprodução/Freepik)
A nutricionista Amy Shapiro, fundadora da Real Nutrition, fez uma ressalva à Vogue sobre a questão do café. Segundo ela, os estudos sobre colágeno hidrolisado mostram melhorias modestas na elasticidade e hidratação da pele, com resultados que dependem de dosagem e consistência.
Ainda assim, a bebida escolhida importa. "Adicionar colágeno a uma bebida de café ultraprocessada e rica em açúcar não a torna saudável", disse Shapiro à revista. A nutricionista recomenda cerca de 10 g de colágeno por dia, uma dose que muitos pós e cremes sozinhos não entregam.
E no Brasil?
No Brasil, a maior parte dos produtos vendidos como café com colágeno são, na prática, cafés solúveis enriquecidos em pó. Os rótulos costumam combinar colágeno Verisol — um tipo especial de colágeno hidrolisado específico para a pele — com termogênicos e cafeína extra.
O SuperCoffee 3.0, da Caffeine Army, é um dos mais famosos, com 2,5 g de colágeno Verisol por dose diária, somados a TCM, taurina, L-tirosina, café verde, complexo B e coenzima Q10. A marca promete energia, foco e melhora visível da pele após oito a doze semanas de uso contínuo. O produto custa entre R$ 149,90 e R$ 189,90, conforme a embalagem de 220 g ou 380 g.
O Fun Koffee Energy, da Performance Nutrition, oferece 2,4 g de peptídeos de colágeno hidrolisado Verisol por porção, com taurina, TCM, vitaminas do complexo B, vitamina C, cromo e coenzima Q10. O produto é zero açúcar, adoçado com stévia. O pote de 250 g custa R$ 127,97 e é vendido em Droga Raia e Drogasil.
A Skincoffee, da Biosanté, é apresentada pela marca como o primeiro café bulletproof brasileiro com colágeno Verisol. Também traz 2,5 g por dose, combinados a TCM, taurina, cacau e ativos termogênicos. O kit com cinco unidades sai por cerca de R$ 140,00 no site oficial da empresa.
Já o Body Coffee Protein, da Equaliv, aposta em formato individual. A caixa traz dez sachês de 15 g, sabor baunilha com avelã, com colágeno hidrolisado, TCM, taurina, cúrcuma, canela e pimenta-preta. O preço varia entre R$ 35,00 e R$ 50,00.
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