Com 305 mil ligações por minuto, estudo propõe fim do telemarketing sem autorização
Receber ligações indesejadas pode deixar de ser regra no Brasil: um novo estudo propõe que o telemarketing só ocorra com autorização prévia do consumidor.
A discussão ganha força diante de um cenário em que o país registra 305,7 mil chamadas por minuto, o que coloca o Brasil como tetracampeão mundial em chamadas indesejadas.
O dado faz parte do levantamento ‘Pelo fim do telemarketing abusivo: o consentimento como forma de garantir direitos’, realizado pelo Instituto de Defesa de Consumidores (Idec).
O estudo aponta que o país ultrapassa a marca de 1 bilhão de chamadas abusivas por mês. Hoje, 92% dessas ligações atingem pessoas sem qualquer vínculo com as empresas.
Segundo o instituto, os dados evidenciam o uso massivo e irregular de informações pessoais por agentes privados.
A entidade também sugere a limitação de horários para ligações, como das 8h às 18h em dias úteis e regras mais rígidas para o uso de robôs.
Outra sugestão é a criação de uma plataforma nacional de autorização prévia e restrições ao uso do chamado “legítimo interesse”, que passaria a valer apenas em casos específicos com relação comprovada entre empresa e consumidor.
Regulação atual
De acordo com o Idec, já existem medidas em vigor para conter o abuso de chamadas de telemarketing, mas elas são avaliadas como insuficientes.
“O que vemos hoje é um sistema que ainda permite o uso de dados pessoais sem consentimento claro e informado”, afirmou Julia Abad, coordenadora do programa de Telecomunicações e Direitos Digitais do Idec.
Chamadas indesejadas
Segundo o estudo, em 2025 foram registradas 161,16 bilhões de chamadas curtas, de até seis segundos, e muitas realizadas por robôs para validar números ativos.
Desse total, cerca de 24,1 bilhões chegaram de fato aos consumidores, mesmo diante de bloqueios regulatórios.
O volume acumulado de chamadas automatizadas já supera 126 bilhões.
O levantamento também destaca efeitos práticos no cotidiano, como aumento do estresse, perda de tempo produtivo e a crescente recusa em atender números desconhecidos.
Além disso, o estudo aponta a exploração de públicos vulneráveis, como aposentados e idosos. A estimativa é de que mais de 4 milhões de aposentados e pensionistas tenham sido prejudicados por esse tipo de abordagem.
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