Com 96% de vagas CLT, contratação de profissionais com TEA avança, aponta estudo do Infojobs
A inclusão de profissionais com Transtorno do Espectro Autista (TEA) atingiu um patamar de estabilidade jurídica inédito no mercado brasileiro: 96,5% das vagas destinadas a esse público são sob o regime de contratação efetiva (CLT).
No entanto, por trás do avanço nos contratos de longo prazo, o Recursos Humanos do país enfrenta um viés estrutural. Um levantamento recente realizado pelo Infojobs e enviado com exclusividade à EXAME revela que as oportunidades ainda estão fortemente represadas em setores operacionais e concentradas geograficamente na região Sudeste, que retém quase 70% das vagas.
Para os líderes de gestão de pessoas, o cenário aponta que o mercado corporativo começou a abrir as portas, mas ainda opera dentro de uma zona de conforto limitante. As vagas estão associadas majoritariamente a atividades de rotinas previsíveis e suporte, como Comercial/Vendas, Logística, Administração e Atendimento em Lojas e Shoppings.
“Existe uma evolução clara na abertura de vagas, mas ainda vemos um padrão de concentração em funções mais estruturais e repetitivas. O desafio agora é ampliar esse acesso para posições mais estratégicas e diversificadas”, analisa Hosana Azevedo, Gerente Sênior da Redarbor Brasil, detentora do Infojobs.
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Onde estão as oportunidades (e onde falta avançar)
O mapeamento do Infojobs deixa evidente quais setores absorvem essa força de trabalho e onde o RH precisa romper estereótipos de capacidade técnica.
Setores com maior volume de oportunidades para TEA:
Comercial e Vendas
Administração
Alimentação e Gastronomia
Funções mais recorrentes no recrutamento:
Atendimento
Lojas e Shopping
Administração Geral
“Na prática, isso indica que o mercado ainda associa a contratação de pessoas com TEA a atividades com menor variabilidade”, explica Hosana. De acordo com a especialista, as empresas começam a entender o potencial desses profissionais, mas falta evoluir para uma visão ampla de competências que identifique talentos aptos a ocupar posições de liderança, tecnologia e alta especialização.
O paradoxo da CLT e o apagão no Sudeste
O estudo traz um dado financeiro e estratégico de peso: a estabilidade é a regra. Os formatos de contratação alternativos quase não aparecem nas estatísticas, o que demonstra o desejo das marcas em reter esses talentos no longo prazo.
Efetivo (CLT): 96,5% das vagas
Temporário: 1,3%
Estágio: 0,7%
Embora o modelo CLT dominante sinalize um compromisso real com a inclusão, a quase inexistência de vagas de estágio (0,7%) revela um gargalo na base da formação corporativa, fechando as portas de entrada de universitários com TEA no ecossistema de grandes companhias.
A disparidade geográfica também é um fator de atenção para os diretores de RH nacionais. O Sudeste lidera isolado com 67,7% das vagas, seguido pelo Sul (18,3%), Nordeste (6,3%) e Centro-Oeste (5,4%). Essa concentração acompanha o eixo econômico, mas escancara a baixa maturidade das filiais e empresas fora dos grandes centros em gerenciar programas de diversidade estruturados.
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