Com acordo estagnado, EUA ameaçam retomar guerra com o Irã
Os Estados Unidos afirmaram neste sábado, 30, que têm capacidade militar para retomar o conflito contra o Irã caso as negociações em curso não resultem em um acordo considerado aceitável por Washington.
A declaração amplia a pressão sobre Teerã em meio ao impasse nas conversas indiretas para transformar o atual cessar-fogo em um pacto mais duradouro.
O secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, disse durante o Diálogo Shangri-La, principal fórum de segurança da Ásia, que os Estados Unidos são “mais do que capazes” de voltar à guerra “se for necessário”.
Segundo ele, os estoques militares americanos são suficientes para sustentar uma eventual retomada das operações, tanto no Oriente Médio quanto em outras regiões.
Possível retomada na Guerra do Irã?
A fala ocorre em um momento de tensão crescente entre Washington e Teerã. As duas partes negociam há semanas uma saída para o conflito, mas as conversas seguem travadas por divergências sobre o programa nuclear iraniano, a circulação no Estreito de Ormuz e as condições para a prorrogação do cessar-fogo.
Na quinta-feira, fontes em Washington indicaram que as partes discutiam um acordo para estender a trégua por mais 60 dias. O entendimento, porém, ainda não foi anunciado oficialmente. Uma reunião de cerca de duas horas realizada na sexta-feira na Casa Branca terminou sem comunicado imediato.
O presidente americano Donald Trump endureceu o tom na véspera ao afirmar que o Irã deve aceitar que “nunca terá armas nucleares”. Em publicação na Truth Social, sua rede social, ele também exigiu que as reservas iranianas de urânio altamente enriquecido sejam destruídas.
Os Estados Unidos e Israel acusam o Irã de tentar desenvolver armamento nuclear, acusação negada pelo governo iraniano. Teerã sustenta que seu programa tem fins pacíficos e defende que a questão nuclear seja tratada apenas depois da assinatura do protocolo de acordo atualmente em discussão.
Impasse sobre o Estreito de Ormuz
Outro ponto central do impasse é o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes para o comércio global de petróleo e gás.
A passagem, localizada entre o Irã e Omã, permanece sob forte restrição desde o início da guerra, o que elevou a preocupação de governos e mercados com possíveis impactos sobre o abastecimento de energia.
Trump afirmou que o estreito deve ser reaberto “imediatamente” e que o Irã precisa se comprometer a remover minas da região. O governo americano, por sua vez, mantém restrições contra portos iranianos, enquanto Teerã acusa Washington de impedir a circulação de navios comerciais do país.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, afirmou que a troca de mensagens com os Estados Unidos continua. Ele também defendeu a “situação especial” do Estreito de Ormuz, alegando que sua localização em águas territoriais iranianas e omanenses limita a interferência de outros países.
Bloqueio no Estreito de Ormuz
No Parlamento iraniano, o deputado Alireza Salimi declarou que apenas Irã e Omã têm autoridade para decidir sobre a gestão da rota marítima. A posição reforça a resistência de Teerã às exigências americanas e mantém o estreito como uma das principais barreiras para um acordo.
Apesar do risco de nova escalada, a Casa Branca afirma que Trump só aceitará um pacto que seja “bom para os Estados Unidos” e respeite suas “linhas vermelhas”. Entre elas estão garantias sobre o programa nuclear iraniano e a normalização da navegação em Ormuz. O cessar-fogo em vigor desde 8 de abril reduziu a intensidade do conflito, mas não impediu novos confrontos.
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