Com 'Brasil 70', Netflix avança em ESG e reduz descarte de resíduos em produções
Faltando apenas um dia para a abertura da Copa do Mundo 2026 e três para a estreia da Seleção Brasileira, o hexacampeonato parece mais próximo do que nunca.
Pensando nos torcedores que já querem entrar no clima da Copa, a Netflix lançou em 29 de maio a minissérie "Brasil 70: A Saga do Tri". A produção revisita a campanha da Seleção na Copa de 1970, no México, quando o Brasil conquistou o tricampeonato em meio à ditadura militar.
A série — que mescla a ficção, fatos históricos e os bastidores da Seleção — conta a história de jogadores e personagens memoráveis para a conquista do tricampeonato, como Pelé (Lucas Agrícola), João Saldanha (Rodrigo Santoro) e Zagallo (Bruno Mazzeo), sob direção de Paulo Morelli e Pedro Morelli.
Um dos diferenciais da filmagem, no entanto, não está na frente das câmeras: a partir de uma parceria com a organização Cinema Verde, especializada na responsabilidade socioambiental no audiovisual, a minissérie foi criada e gravada já buscando a redução no impacto ambiental. A Netflix divulgou dados referentes a essa iniciativa em primeira mão para a EXAME.
Sustentabilidade em Brasil 70: A Saga do Tri
Ao longo dos seis meses de gravações, mais de 10 toneladas de resíduos deixaram de ir para aterros sanitários, o equivalente a um contêiner marinho ou 11 caçambas de entulho.
Do total, 5.063 kg de materiais recicláveis foram encaminhados para cooperativas. Outros 4.733 kg de itens orgânicos foram transformados em adubo e distribuídos para a equipe que produz o material.
Samantha Santos, diretora de produção da Netflix, contou à EXAME que além de reduzir o impacto ambiental das séries e filmes, a adoção das práticas verdes também gerou novas oportunidades de trabalho. "A sustentabilidade movimenta toda uma cadeia produtiva e abre espaço para o desenvolvimento de novas competências, tanto na indústria audiovisual quanto em setores relacionados", conta.
"Há uma nova geração de profissionais que pode enxergar uma nova trajetória de carreira dentro do entretenimento", explica Santos.
Parte dos resíduos também foi reaproveitada em outras indústrias: mais de 600 kg de rejeitos foram destinados para a geração de combustível industrial, enquanto quase 200 mil bitucas de cigarro foram enviadas para a fabricação de papel. Outros 60 kg de tecido foram utilizados para a transformação em carvão ativado.
'Brasil 70 - A Saga do Tri': minissérie da Netflix recria bastidores do tricampeonato mundial (Netflix/Divulgação)
ESG nas produções audiovisuais
A Netflix explica que, para atingir esses resultados, as organizações adotaram alguns hábitos focados no consumo consciente, como o uso de canecas reutilizáveis e botijões de água, ao invés de garrafas e copos descartáveis.
Parte dos adereços utilizados deriva de brechós e de acervo, evitando a criação de novas peças. Além disso, a companhia também garantiu a destinação correta dos resíduos têxteis após sua utilização.
Até mesmo a alimentação dos atores e equipe foi pensada a partir de opções mais sustentáveis: todo o cardápio incluiu opções vegetarianas e veganas, além de não utilizar itens descartáveis, evitando a utilização de mais plásticos de uso único.
Cerca de 80% da iluminação foi realizada com LED, além de testes com baterias de energia renovável. A filmagem da série ainda contou com a instalação de bituqueiras e ecopontos para resíduos especiais.
Redução de emissões na Netflix
As iniciativas, de acordo com a diretora de produção da Netflix, fazem parte da estratégia da plataforma de audiovisual para reduzir em cerca de 50% as emissões dos até 2030. "Percebemos um interesse genuíno das produtoras brasileiras em tornar os sets mais verdes, mas o desafio, muitas vezes, está em transformar essa intenção em prática", explica.
Por isso, a companhia investe hoje em treinamentos e oficinas que ampliem o conhecimento e a preparação do setor para isso. "Hoje, já consideramos obrigatório ter uma equipe de sustentabilidade nas nossas produções", conta.
Wellington Pingo, produtor-executivo de "Brasil 70: A Saga do Tri", explicou à EXAME que o setor audiovisual, de forma geral, gera muitos resíduos, então quando uma gigante como a Netflix começa a rever seus processos e criar novos hábitos, gera um impacto positivo para toda a cadeia. "Já existem outras produtoras valorizando a implementação de práticas sustentáveis, mas o desafio é transformar isso em cultura, para que deixe de ser exceção e se torne automático", diz.
Ariene Ferreira, diretora da Cinema Verde, responsável pelas práticas adotadas, afirma que o desafio é maior em diárias como as de "Brasil 70", com até 500 profissionais, mas que faz parte do trabalho da consultoria planejar, implementar e acompanhar as ações em todas as etapas. "Foi uma oportunidade de mostrar que essas práticas podem ser incorporadas de forma eficiente, mesmo em produções complexas", destaca.
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