Com BTG no controle do Jardim das Perdizes, dívida da Tecnisa cai 70%

Por Letícia Furlan 23 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Com BTG no controle do Jardim das Perdizes, dívida da Tecnisa cai 70%

O BTG Pactual avançou sobre um dos maiores projetos imobiliários de São Paulo e assumiu o controle do Jardim das Perdizes, bairro planejado na zona oeste da capital. A instituição comprou a fatia de 42,5% que pertencia à gestora americana Hines e adquiriu também participação da Tecnisa, passando a deter cerca de 68% do empreendimento.

“Eles estão comprando 26% da Tecnisa e 100% do sócio Hines. Assim que assinarmos o contrato, eles terão 68% do Jardim das Perdizes e nós ficaremos com 32%”, detalha Fernando Perez, CEO da Tecnisa, à EXAME.

Com a nova transação, o BTG deixa de ser apenas um sócio relevante para se tornar o principal controlador do projeto. Diferentemente de negociações anteriores, o banco adquiriu a própria Sociedade de Propósito Específico (SPE), o que inclui obras em andamento e recebíveis de unidades já entregues. “O BTG está comprando a SPE. Então, nesse momento, temos três obras em andamento, e eles estão comprando também os recebíveis das obras que já entregamos. É passado, presente e futuro”, afirma Perez.

A movimentação começou a ganhar visibilidade meses antes, mas, segundo o executivo, o processo sempre foi tratado como uma operação única. “Não comprou nada em fevereiro. Naquele momento, demos o aviso de que esse negócio estava sendo discutido”, diz.

A venda faz parte da estratégia da Tecnisa para reduzir seu endividamento. Segundo Perez, o custo da dívida pressionava a companhia. “O custo da dívida está proibitivo. Vamos acabar com cerca de 70% da dívida corporativa, ficando com um nível muito mais saudável para as operações”, afirma. Ele ressalta que o impacto é na holding como um todo, e não apenas ao empreendimento na Barra Funda.

Ao final de 2025, esse endividamento corporativo era composto por um endividamento total de R$ 711 milhões, dos quais R$ 670 milhões correspondiam a debêntures e R$ 41,0 milhões a empréstimos.

As negociações com o BTG avançaram após o fim das tratativas com a Cyrela, iniciadas no ano passado. “Depois que anunciamos que a conversa com a Cyrela não avançou, vários players nos procuraram. A partir de dezembro, começamos a avançar mais com o BTG, e a operação acabou evoluindo”, diz.

Apesar da mudança de controle, a Tecnisa seguirá responsável pela execução do projeto, incluindo as torres que ainda serão construídas. A operação está em fase final de formalização e depende da aprovação do Cade. “O contrato deve ser assinado nos próximos dias, mas ainda depende do aval do Cade. A expectativa é ter essa aprovação até meados de maio”, finaliza o executivo.

Perdizes? Não, Barra Funda

Lançado em 2011, o Jardim das Perdizes foi concebido como um dos maiores projetos imobiliários da capital, em uma área de cerca de 250 mil metros quadrados na Barra Funda. Parte relevante do terreno foi destinada a áreas públicas, incluindo vias e espaços verdes, consolidando o conceito de bairro planejado.

Dos 30 prédios previstos originalmente, 17 já foram entregues — e o potencial de desenvolvimento ainda é relevante.

O terreno foi adquirido pela Tecnisa em 2007, por R$ 133 milhões, em uma área antes ocupada pela Telefônica. Para viabilizar o projeto, a companhia investiu em Cepacs, títulos que permitem ampliar o potencial construtivo — uma decisão que aumentou a capacidade de desenvolvimento, mas também pressionou sua estrutura de capital ao longo do tempo.

A nova configuração societária reposiciona o Jardim das Perdizes. Ao assumir o controle, o BTG passa a ter maior influência sobre o ritmo e a estratégia de desenvolvimento, em um momento em que o projeto ainda possui etapas relevantes a serem executadas.

O movimento também reflete uma tendência mais ampla no mercado imobiliário: a entrada de capital institucional em projetos de grande escala, não apenas como financiador, mas como sócio direto.

No caso do Jardim das Perdizes, trata-se de um ativo já parcialmente desenvolvido, com localização consolidada e histórico de vendas — o que reduz riscos e aumenta a previsibilidade de retorno.

Para a Tecnisa, a operação ajuda a equilibrar a estrutura financeira sem abrir mão da execução. Para o BTG, representa a aposta na captura de valor da fase final de um dos projetos mais emblemáticos do mercado imobiliário paulistano.

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