Com faturamento de R$ 8,3 milhões, HB chega à Oktoberfest de Blumenau

Por Paloma Lazzaro 12 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Com faturamento de R$ 8,3 milhões, HB chega à Oktoberfest de Blumenau

A tradicional Oktoberfest de Blumenau receberá uma, também tradicional, novidade em sua edição de 2026.

A quadricentenária marca alemã Hofbräuhaus (HB) adicionará um novo endereço ao seu nome. Na Rua XV de Novembro, 160, no Centro de Blumenau, a cervejaria de origem bávara abrirá sua segunda unidade na América Latina. A primeira fica em Belo Horizonte.

Blumenau é, por razões históricas, o endereço mais natural para a expansão, na visão do fundador da HB brasileira, Bruno Vinhas. A cidade catarinense é o berço da maior Oktoberfest das Américas e concentra uma das comunidades de descendência alemã mais expressivas do continente.

"Vai ser divertido poder entrar em um lugar tão icônico para cerveja no Brasil. A capital nacional da cerveja", disse Carlos Henrique Vasconcelos, mestre cervejeiro da HB de Belo Horizonte, à EXAME.

Mestre cervejeiro: Carlos Henrique está na casa há 11 anos e comanda a produção de cerveja na HB de BH (Paloma Lazzaro/Exame)

Essa expansão, primeira na história da casa cervejeira no Brasil, vem em um contexto de crescimento de 12% ao ano e faturamento anual de R$ 8,4 milhões, de acordo com a HB.

A chegada ao novo endereço ocorrerá em meio à maior festa alemã do continente americano.

A 41ª edição da Oktoberfest ocorre entre os dias 7 e 25 de outubro e contará com a presença da Hofbräuhaus em um dos pavilhões da Vila Germânica, espaço sede do evento.

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"A gente pretende inaugurar em setembro para em outubro já estar em operação", afirmou o mestre cervejeiro. Segundo ele, a nova unidade deve repetir o modelo que consagrou a casa em BH. "A gente pretende repetir tudo isso no berço da cultura alemã."

O modelo tradicional com visão de futuro

A Hofbräuhaus nasceu na Bavária, no sul da Alemanha, em 1589. Foi fundada pelo duque Wilhelm V, neto do Wilhelm IV, responsável por promulgar a Reinheitsgebot, a lei de pureza da cerveja considerada a norma de regulamentação alimentar mais antiga do mundo ainda em vigor.

Há mais de quatro séculos, as unidades da cervejaria são vistas como referência na cervejaria alemã, e ela marca presença na maior Oktoberfest do mundo, em sua cidade natal de Munique.

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Foi exatamente essa história que capturou a imaginação de Bruno Vinhas ainda jovem. Em 2010, aos 22 anos, ele foi à Oktoberfest de Munique durante um mochilão pela Europa e saiu de lá com uma ideia fixa.

"A estrutura da festa, a energia contagiante das pessoas e, principalmente, a qualidade absurda das cervejas e das comidas me deixaram de boca aberta", conta Vinhas à EXAME.

O empresário entrou em contato Hofbräuhaus original, em busca de um contato. Após muita tentativa e erro, ele recebeu um e-mail da HB pedindo uma reunião presencial em Munique.

Sem roupas adequadas para o encontro, comprou uma camisa social, encheu uma pasta de couro com folhas em branco e se apresentou ao diretor de franquias.

Ao ver um jovem recém na casa dos 20 anos esperando por ele, o executivo alemão duvidou que fosse o representante brasileiro. A reunião aconteceu apesar da estranheza inicial. Após longos ajustes, o contrato foi assinado em 2013, juntamente com os sócios Henrique Rocha e Francisco Vidigal.

O endereço escolhido para a primeira, e até o momento, única HB na América Latina foi a Avenida do Contorno, 7613, no bairro de Lourdes em Belo Horizonte. Inaugurada em novembro de 2015, o investimento inicial foi de R$ 9 milhões, segundo reportagem da Meio & Mensagem na época.

Cerveja com pedigree produzida na casa

Todas as cervejas produzidas na Hofbräuhaus brasileira seguem receitas vindas da matriz em Munique e obedecem à lei da pureza bávara. A normativa determina que a cerveja seja feita apenas com água, malte, lúpulo e levedura.

Cerveja de pedigree: produção da casa segue rigorosos padrões alemães (Paloma Lazzaro/Exame)

Cada lote passa por cinco análises laboratoriais feitas por laboratórios externos creditados pela matriz, cujos laudos são enviados a Munique, conta Carlos Henrique que está na casa há quase 11 anos e foi o primeiro contratado da HB no Brasil. "Eu só posso vender uma cerveja se ela estiver dentro do padrão da matriz."

A fábrica de BH conta com 13 tanques fermentadores de 2.000 litros cada, totalizando capacidade instalada de 26.000 litros. Os equipamentos são importados da Alemanha, com apenas seis similares no Brasil.

A produção atual é de cerca de 8.000 litros por mês. Toda essa volumetria é consumida no próprio restaurante, já que a cervejaria não vende para revendedores.

O portfólio conta com cervejas fixas e uma sazonal diferente a cada mês, lançada sempre na primeira terça-feira do mês em uma cerimônia chamada keg tapping. Esse evento é um dos dias mais movimentados da casa, em que a clientela

Além das cervejas, a casa conta com um cardápio de inspiração alemã. Os pratos seguem algumas mesmas receitas da matriz em Munique, incluindo o pretzel, importado congelado da Alemanha e assado no local, por não haver fornecedor brasileiro que atenda ao padrão exigido pela marca.  Há também pratos autorais, como o pastel de pato.

No restaurante de BH, é possível encontrar com frequência estrangeiros que já estiveram na matriz em Munique e vieram especificamente para repetir a experiência, de acordo com o mestre cervejeiro.

Faturamento milionário com o público fiel

"A gente tem como lema: aqui todo dia é Oktoberfest", diz Carlos Henrique. Toda quinta-feira há show com banda ao vivo, e uma vez por noite os clientes são convidados a subir nos bancos para o brinde coletivo. A casa considera uma boa noite quando recebe acima de 250 pessoas.

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O público fiel é, segundo o mestre cervejeiro, formado principalmente por frequentadores acima dos 35 e 40 anos. É ele que sustenta o crescimento consistente da operação, que fatura R$ 700 mil ao mês. Por ano, o montante chega aos R$ 8,3 milhões, com apenas um restaurante.

A cerveja continua sendo o principal diferencial reconhecido pelos clientes. "Se tem um ponto que não tem porém, é a cerveja. A gente sabe, os clientes sabem disso e vêm muito por isso", afirma.

A produção no local, a metros da chopeira, sem necessidade de envasar e transportar, é apontada como fator decisivo para a qualidade do produto. "Você está ali a metros da chopeira, a metros do serviço. Isso faz total diferença."

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