Com 'fim' das tarifas dos EUA, exportações brasileiras podem ter isenção de US$ 21,6 bi, diz CNI
A suspensão das tarifas adicionais de 10% e 40% impostas ao Brasil pelo governo dos Estados Unidos pode impactar US$ 21,6 bilhões em exportações brasileiras para o mercado norte-americano, segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
O cálculo considera dados de 2024 da USITC, Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos, na classificação a 10 dígitos. A metodologia detalha os produtos afetados pelas sobretaxas e o volume financeiro envolvido nas vendas externas brasileiras.
A medida refere-se à suspensão das tarifas aplicadas pelo governo de Donald Trump com base na International Emergency Economic Powers Act (IEEPA), legislação norte-americana que autoriza o Executivo a adotar sanções econômicas em situações consideradas de emergência nacional. A decisão foi anunciada pela Suprema Corte dos Estados Unidos nesta sexta-feira, 20.
“Acompanhamos a decisão de hoje com atenção e cautela. O impacto de uma medida como essa no comércio brasileiro é significativo, tendo em vista a relevante parceria comercial entre Brasil e Estados Unidos”, declarou o presidente da CNI, Ricardo Alban.
Em busca de negociações
Em nota, a CNI reforçou seu papel na articulação do setor industrial brasileiro e interlocutores norte-americanos com o objetivo de estabelecer canais de diálogo entre os dois países, desde o início da aplicação das tarifas pelos Estados Unidos. Em setembro de 2025, a CNI liderou uma missão empresarial a Washington, com cerca de 130 empresários, para sensibilizar contrapartes americanas sobre os efeitos do tarifaço e sobre a necessidade de abrir canais oficiais de negociação.
A programação incluiu reuniões institucionais e encontros com empresas e autoridades dos Estados Unidos, com foco na defesa dos interesses da indústria brasileira. O embaixador Roberto Azevêdo, consultor da CNI, representou o setor em audiência no Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), órgão responsável pela formulação da política comercial norte-americana.
A decisão anunciada nesta sexta-feira, 20, atinge especificamente as tarifas aplicadas com base na IEEPA. Continuam em vigor as tarifas fundamentadas em outros instrumentos legais, especialmente as previstas na seção 232 da Trade Expansion Act, relacionadas a razões de segurança nacional, como aço e alumínio.
Também seguem abertas as investigações conduzidas com base na seção 301, mecanismo utilizado pelos Estados Unidos para apurar práticas consideradas desleais no comércio internacional. Esses processos podem resultar em novas medidas comerciais que afetem as exportações brasileiras.
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