Com guerra, pacotes de viagens sobem 4% em março, diz CEO da CVC
A Guerra do Oriente Médio teve impactos consideráveis no petróleo. O Brent, referência global, ficou próximo dos US$ 120 recentemente. O resultado foi a alta no preço do querosene de aviação (QAV) no Brasil – e, consequentemente, do preço das passagens aéreas. O turismo, logo, não escapou. Os pacotes de viagens nacionais subiram 4% em março, diz Fabio Mader, CEO da CVC em entrevista à EXAME.
Apesar dos esforços do governo para impedir a alta dos bilhetes, como a isenção dos tributos federais PIS e Confis, o JP Morgan estima que as passagens registraram alta de 22% em março na comparação anual e de 31% em relação a fevereiro, impulsionadas pela escalada do conflito no Oriente Médio.
Os analistas do banco apontam que as companhias aéreas adotaram essa elevação como uma medida preventiva, antecipando o impacto do aumento do preço do querosene de aviação. “Quando falamos do efeito guerra no turismo não podemos falar que o mercado está isolado, não está”, destaca Mader. Segundo ele, já é possível observar o aumento do ticket médio das passagens nacionais em março – enquanto as internacionais, apresentam estabilidade.
O setor que mais sofre? O de passagens corporativas. Mader destaca que esse segmento “viu um aumento considerável do preço”. A exemplo, ele cita viagens para o Rio de Janeiro que subiram 14% e para São Paulo, que subiram 17%. Na média, as passagens aéreas do mercado corporativo subiram 16%. As de lazer subiram, mas não na mesma proporção: 6%.
‘Avião vazio tem custo muito alto’
Apesar das aéreas terem obtido sucesso no repasse de preços no mercado corporativo, é preciso cautela na hora de subir os preços. “É difícil falar que a partir de tanto por cento de aumento no preço da passagem o cliente deixa de viajar, porque a companhia não vai sair com o avião vazio. Se ela aumenta o preço e o cliente não compra, ela começa a baixar para ver qual que é a elasticidade do cliente. Avião vazio tem custo muito alto”, aponta.
Ele conta que têm visto poucas mudanças de rotas e assentos no Brasil. Por outro lado, algumas rotas internacionais, como Emirados Árabes e Ásia, áreas mais próximas do conflito, têm diminuído a demanda. Na CVC, a venda para o Japão caiu 25%, enquanto Emirates Árabes recuou 80%. A alternativa para os brasileiros? Viagens para a América e Europa. As vendas para o Chile no mês de março cresceram 34%, enquanto para Cancún subiram 133%.
Apesar dos contratempos com os pacotes e passagens, o consumidor não está deixando de viajar, ressalta Mader. Pelo contrário, ele está remanejando suas escolhas para caber no bolso. Isso significa abrir mão de algumas comodidades, mas manter a viagem de pé. “O cliente está mais resiliente, ele mantém a viagem, mas se torna uma viagem mais cautelosa. Temos visto movimentos do cliente reduzir dias, reduzir qualidade do hotel. Ele tenta fazer com que o impacto do ticket médio seja o menor possível.”
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