Com IA no WhatsApp, essa startup reduz contratação operacional de meses para horas

Por Layane Serrano 4 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Com IA no WhatsApp, essa startup reduz contratação operacional de meses para horas

Enquanto o debate sobre inteligência artificial no RH costuma girar em torno de cargos técnicos e executivos, uma HRTech brasileira aposta em resolver um gargalo menos visível, e muito mais urgente, do mercado de trabalho: a contratação de profissionais operacionais.

Criada para atuar onde a escassez de mão de obra é mais aguda, a Luma desenvolveu uma assistente virtual baseada em IA integrada ao WhatsApp para automatizar o recrutamento de ponta a ponta. A proposta é simples: transformar o aplicativo de mensagens mais usado do país em um canal direto de acesso ao emprego.

Na prática, candidatos podem enviar currículo com foto, responder entrevistas por texto ou áudio e avançar no processo seletivo em poucos minutos, sem precisar de computador, e-mail ou plataformas complexas.

O impacto aparece nos números, segundo Ricardo Dzik, cofundador da Luma.

“Em um dos casos recentes, uma vaga operacional que estava aberta havia mais de 120 dias recebeu cinco candidatos pré-selecionados em apenas cinco horas. Um deles foi aprovado e contratado nos dias seguintes”.

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Ricardo Dzik, cofundador da Luma: “A maioria das plataformas de recrutamento foi desenhada para quem tem computador, currículo estruturado e boa navegação digital. Esse não é o perfil da maior parte da força de trabalho do país” (Luma/Divulgação)

Um problema estrutural de acesso ao trabalho

A solução nasce em um contexto desafiador. Segundo levantamento da ManpowerGroup, 81% dos empregadores brasileiros relatam dificuldade para encontrar talentos — índice acima da média global. O cenário é ainda mais crítico em setores intensivos em mão de obra operacional, como construção civil, varejo e serviços.

Na construção, por exemplo, Dzik afirma que 8 em cada 10 empresas enfrentam dificuldade para completar equipes, o que atrasa obras e limita novos contratos. Ao mesmo tempo, o país convive com uma das maiores taxas de rotatividade do mundo: cargos de base podem chegar a até 56% de turnover anual, exigindo processos seletivos contínuos, rápidos e eficientes.

“A maioria das plataformas de recrutamento foi desenhada para quem tem computador, currículo estruturado e boa navegação digital. Esse não é o perfil da maior parte da força de trabalho do país”, afirma Dzik. “Decidimos começar justamente pelo público que mais movimenta a economia e menos se vê representado nessas soluções.”

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Tecnologia pensada para quem está fora do radar

Ao direcionar sua tecnologia exclusivamente para a contratação de profissionais operacionais, a Luma ocupa um espaço ainda pouco explorado pelas grandes plataformas de RH.

“A experiência acessível, baseada no WhatsApp, garante taxas de resposta acima de 90% e acelera processos que tradicionalmente são manuais, fragmentados e lentos”, afirma Dzik.

A assistente virtual conduz fluxos guiados que se adaptam ao tipo de vaga e ajudam a identificar rapidamente os candidatos com maior aderência. Os perfis aprovados seguem para a empresa por meio de um painel próprio ou integrados diretamente aos sistemas de RH já utilizados pelos clientes.

Além da eficiência, o modelo chama atenção pelo cuidado com a experiência do candidato. Segundo a empresa, muitos usuários encerram o processo enviando mensagens de agradecimento, o que indica que a automação não eliminou — e, em alguns casos, até ampliou a percepção de humanização no recrutamento.

Origem e próximos passos da startup

A Luma é uma startup criada em 2024 e em pouco tempo de atuação já atendeu cerca de 20 organizações no Brasil.

A origem da companhia está ligada à trajetória de seus fundadores. Ricardo Dzik cresceu nos bastidores da EMPREG, empresa de recrutamento criada por sua avó há mais de 50 anos, e acompanhou de perto os gargalos da contratação de mão de obra operacional. Ao longo da carreira, passou por áreas de expansão e novos negócios no QuintoAndar, na SOMOS Educação e na própria EMPREG.

Já Luiz Temporini construiu sua carreira no BTG Pactual, onde participou da estruturação da área de Equity Research no braço digital do banco. A Luma surge da convergência desses dois olhares: a vivência prática de quem conhece o chão de fábrica do recrutamento e a visão analítica voltada à escala e ao uso de dados.

“O Brasil vive um paradoxo: milhões de pessoas procurando trabalho e milhares de empresas sem conseguir formar equipes. O problema não é só de oferta ou demanda, é de acesso”, afirma Temporini. “A Luma nasce para encurtar esse caminho, usando IA e WhatsApp para criar uma experiência simples, rápida e eficaz.”

Até o momento, a solução já contribuiu para o preenchimento de centenas de vagas de emprego e está em fase final de uma prova de conceito com uma indústria de alimentos que fatura R$ 4,5 bilhões por ano, possui cerca de 10 mil funcionários e demanda média de aproximadamente 500 vagas operacionais por mês.

Com a tecnologia validada em campo, a Luma projeta movimentar cerca de 2 mil vagas por mês nos próximos 6 meses, atendendo ao menos dez grandes empresas com alta demanda de admissões. O modelo de negócios combina assinatura mensal com taxa por profissional contratado, garantindo previsibilidade para os clientes e recorrência para a startup.

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