Com IA para vendas no WhatsApp, Moskit vira Ollow e mira R$ 100 milhões
A Moskit, plataforma brasileira de CRM, acaba de anunciar sua transformação em Ollow. A empresa deixa de atuar apenas como ferramenta de gestão de vendas e passa a apostar em uma plataforma de estratégias conversacionais com inteligência artificial aplicada a marketing e vendas via WhatsApp.
A Ollow nasce com 10 mil usuários ativos, operação em breakeven e mais de 150 milhões de conversas já processadas via extensão Moskit Boost.
A empresa projeta chegar a R$ 100 milhões de receita até 2028 e anunciou R$ 10 milhões em investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inteligência artificial nos próximos três anos, além de um fundo de R$ 5 milhões para apoiar campanhas de clientes dentro do WhatsApp.
“A mudança do Moskit para a Ollow é um reposicionamento estratégico motivado principalmente pela evolução do comportamento de consumo no Brasil. O WhatsApp é o centro da jornada de compras atualmente”, afirma Daniel Semaan, CEO e cofundador da Ollow.
A aposta no CRM
A Moskit nasceu em 2016 dentro de uma empresa de tecnologia que atuava no setor imobiliário. A dificuldade de encontrar soluções de CRM adaptadas ao mercado brasileiro levou os fundadores a construir uma ferramenta própria, voltada para pequenas e médias empresas.
A lógica era reduzir complexidade e adaptar o CRM ao comportamento do vendedor brasileiro, que historicamente rejeita processos longos de preenchimento manual.
Com o tempo, o produto ganhou escala e passou a operar com foco no mercado mid-market, apoiado por investimentos internos até 2021 e, depois, por aportes externos, incluindo um fundo local e a LWSA.
WhatsApp no centro da operação comercial
A virada de chave da Moskit para a Ollow vem da leitura de que o WhatsApp deixou de ser um canal complementar e passou a concentrar grande parte das interações comerciais no Brasil. Segundo estudo da RD Station, 70% das empresas brasileiras já usam o WhatsApp em estratégias de vendas e marketing.
“O CRM tradicional foi construído para um mundo que não existe mais no Brasil. O vendedor está no WhatsApp fechando negócio e gerando relacionamento”, diz Eduardo Rodrigues, COO e cofundador da Ollow.
A proposta da Ollow é inverter essa lógica. Em vez de adaptar o WhatsApp ao CRM, a plataforma busca construir o sistema em torno da conversa.
Um dos pilares é o uso de agentes de IA, que funcionam como assistentes capazes de acompanhar interações, retomar contatos, sugerir próximos passos e executar fluxos de automação sem preenchimento manual. A promessa é reduzir a fricção entre atendimento e registro de dados, um dos principais gargalos do CRM tradicional.
Outro ponto é o chamado “Vibe Coding”, no qual usuários descrevem em linguagem natural o que desejam e a própria IA cria fluxos de automação e campanhas dentro da plataforma.
“Estamos construindo um ecossistema onde a inteligência artificial não é só uma funcionalidade do produto, é o motor que multiplica o valor entregue sem crescimento proporcional de custo”, afirma Rodrigues.
Expansão de mercado
A transição para a Ollow também amplia o escopo de atuação da empresa. Antes concentrada principalmente em empresas de serviços, a plataforma passa a mirar varejo, indústria e e-commerce.
A entrada no modelo conversacional também altera a lógica de precificação da companhia. A mudança de posicionamento permite operar com uma estrutura de valor mais alta em relação ao CRM tradicional. “Praticamente dobramos o tíquete médio de entrada”, diz Rodrigues.
Para a base de clientes atuais, a mudança não será obrigatória. Segundo a empresa, os contratos já firmados seguem válidos e o uso da plataforma como CRM tradicional continua disponível para quem não quiser migrar para o novo modelo conversacional.
“Não vamos mexer na oferta que a nossa base contratou. Vamos oferecer a oportunidade de migrar para essa nova oferta”, afirma Semaan. “Temos uma pesquisa com a nossa base e grande parte dela já quer integrar toda a inteligência de vendas com conversa”, completa.
Outro movimento é o fundo de R$ 5 milhões destinado a campanhas de clientes dentro do WhatsApp. A estratégia busca reduzir a barreira de entrada para empresas que ainda resistem ao custo de uso da API oficial da Meta.
A iniciativa também busca demonstrar retorno direto sobre investimento em canais conversacionais, em um contexto de aumento do custo de aquisição de clientes globalmente.
Meta de R$ 100 milhões até 2028
A projeção da Ollow é atingir R$ 100 milhões em receita até 2028, apoiada na expansão do uso de inteligência artificial e na consolidação do WhatsApp como infraestrutura comercial no Brasil.
A empresa prevê investimentos contínuos de R$ 10 milhões em tecnologia, com foco em acompanhar atualizações da Meta e evoluções das APIs do WhatsApp.
“Somos um celeiro de teste pra Meta, porque muita gente usa WhatsApp o tempo inteiro”, afirma Eduardo Rodrigues. “Queremos estar na vanguarda de tudo que a Meta lançar no Brasil pra WhatsApp”, diz.
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