Com Neymar e IA, startup baiana vai faturar R$ 9,5 milhões filmando quadras esportivas
O baiano Vitor Varandas virou empreendedor quando decidiu provar que não era um jogador de futevôlei tão ruim quanto os amigos diziam. O que começou como uma brincadeira virou uma empresa de tecnologia esportiva que usa inteligência artificial e visão computacional para transformar partidas em vídeos personalizados.
Varandas é engenheiro eletricista de formação. A Gravae, startup criada por ele e o amigo Jorge Augusto Ribeiro, instala câmeras inteligentes em quadras, arenas e espaços esportivos. O sistema grava as partidas, identifica os melhores momentos e entrega os lances automaticamente para os atletas compartilharem nas redes sociais.
Hoje, a empresa já soma mais de 800 clientes, mais de 300 mil usuários cadastrados, mais de 100 mil usuários ativos por mês e ultrapassou a marca de 9 milhões de vídeos gerados. A Gravae faturou R$ 4,5 milhões em 2025 e projeta chegar a R$ 9,5 milhões em receita em 2026.
Entre os clientes, há um nome conhecido: o atleta Neymar Jr, que instalou o sistema em uma de suas propriedades no Brasil.
Como a Gravae surgiu
Antes de criar a Gravae, Varandas teve uma trajetória dividida entre tecnologia e vendas. Formado em engenharia elétrica, ele teve contato com programação ainda na faculdade e passou pelo Instituto Brasileiro de Robótica, onde aprofundou conhecimentos técnicos. Depois, migrou para a área comercial em um grupo de concessionárias, onde conheceu Jorge Augusto Ribeiro, que hoje é CRO da empresa.
Após cinco anos no setor automotivo, Varandas decidiu voltar para tecnologia. Em 2019, pediu demissão e planejava estudar fora, mas a pandemia mudou os planos. Durante esse período, fez um curso de startups do MIT e começou a olhar para o empreendedorismo.
A primeira tentativa foi uma plataforma ligada ao mercado de arquitetura, mas o projeto não avançou. O ponto de virada veio depois de um acidente que o afastou do jiu-jitsu e o levou ao futevôlei.
“Eu tinha melhorado, mas meus amigos não acreditavam quando eu falava que tinha feito pontos bonitos. Eles só lembravam da época em que eu era ruim. Aí pensei: vou colocar câmeras na quadra para provar”, conta Varandas.
Ele instalou as primeiras câmeras em uma quadra usando equipamentos do negócio de segurança eletrônica do pai. O resultado surpreendeu.
“No primeiro dia foram 170 vídeos. A galera ficou enlouquecida. Todo mundo queria pegar o link para compartilhar com os amigos”, afirma.
A partir dali, o que era uma solução pessoal virou uma oportunidade de negócio.
O efeito que levou a Gravae para fora do Brasil
O desafio inicial da empresa era transformar uma tecnologia com hardware em uma operação escalável. Varandas conta que, no começo, fazia as próprias instalações e manutenção dos equipamentos.
“Eu subia em poste, fazia solda. Usei tudo que aprendi na engenharia elétrica para construir as primeiras versões da Gravae”, diz.
A empresa adotou um modelo em que não cobra o usuário final pelos vídeos. A receita vem das arenas e espaços esportivos, que pagam uma mensalidade para oferecer a tecnologia como benefício aos clientes.
Segundo Varandas, essa estratégia ajudou a criar um ciclo de crescimento. Os atletas compartilhavam os vídeos nas redes sociais, levando a marca para novos públicos e fazendo outras arenas procurarem a empresa.
“Todos os vídeos têm a nossa marca embutida. Isso ajudou muito a gente a crescer organicamente”, afirma.
O modelo começou a ser replicado internacionalmente. Fora do Brasil, a empresa opera com o nome ReplayMe e já está presente em oito países. No México, a operação ultrapassou 120 arenas.
“A gente precisava sobreviver. Como o negócio precisava de investimento em equipamento, abrir fora acabou sendo uma forma de crescer”, explica.
Como a Gravae quer seguir crescendo
A Gravae conseguiu chegar a diferentes públicos. Segundo os fundadores, a plataforma está presente desde quadras comunitárias até espaços frequentados por atletas profissionais.
“Hoje eu tenho um cliente desde a classe C, dentro de comunidade, até o Neymar”, diz Varandas.
O craque brasileiro virou cliente depois de uma indicação feita por uma jogadora de futevôlei. A empresa instalou o sistema na casa do atleta em Mangaratiba, no Rio de Janeiro.
“A gente recebeu uma ligação dizendo que tinha uma semana para colocar o sistema lá. Desliguei, liguei para meu sócio e falei: vamos fazer a operação Neymar”, conta.
A instalação também teve impacto na percepção do mercado. Depois do projeto, a empresa captou sua primeira rodada de investimento, com valuation de R$ 11 milhões.
A Gravae tem hoje 25 funcionários e uma equipe de aproximadamente dez desenvolvedores focada em tecnologia. O próximo passo é ampliar o uso de inteligência artificial para criar novos produtos.
A empresa prepara uma nova rodada para captar cerca de R$ 5 milhões e acelerar a expansão, incluindo a abertura de uma operação em São Paulo. Além do replay automático e das transmissões, a empresa trabalha em soluções voltadas para torneios, gestão de arenas e novos recursos baseados em IA.
“O que limita a gente hoje não é cliente, não é mercado e não é produto. É estrutura”, afirma Varandas. Com esses aportes, resolveremos isso
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