Com novo chip para PCs, Nvidia coloca Intel e AMD na defensiva

Por Tamires Vitorio 2 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Com novo chip para PCs, Nvidia coloca Intel e AMD na defensiva

Jensen Huang nem tinha saído do palco quando Intel, AMD e Qualcomm começaram a cair em Wall Stret.

O CEO da Nvidia usou o keynote da Computex 2026, em Taipei, na segunda-feira, 1º, para anunciar o RTX Spark — o primeiro chip da empresa dedicado a computadores pessoais, descrito como "o chip de PC mais eficiente já construído", projetado para rodar agentes de IA diretamente nos dispositivos, sem depender da nuvem.

Apesar de especialistas entrevistados pela EXAME afirmarem que ainda é cedo para consagrar um vencedor, em questão de horas, o mercado havia feito suas apostas.

Os vencedores

A Nvidia fechou o pregão de segunda com alta de 6,1%.

Nesta terça, 2, as ações oscilam entre US$ 225 e US$ 232, mantendo os ganhos do dia anterior.

A empresa, que já domina o mercado de chips para data centers de IA com valuation de US$ 5,5 trilhões — maior empresa do mundo por capitalização de mercado —, agora mira o segmento de PCs premium, um mercado que movimenta cerca de US$ 200 bilhões por ano e era controlado por Intel e AMD há quatro décadas.

A Arm Holdings, cujo design de arquitetura é licenciado pela Nvidia para o RTX Spark, disparou 16% no pregão de segunda, chegando a uma capitalização de mercado de US$ 436 bilhões.

O Wells Fargo elevou seu preço-alvo para a empresa de US$ 255 para US$ 410 após o anúncio, e a Mizuho de US$ 360 para US$ 425.

A valorização reflete o avanço da arquitetura Arm no mercado de PCs com Windows, a mesma família de chips que já alimenta todos os smartphones e os computadores Apple com chip M.

As fabricantes de PCs parceiras da Nvidia também subiram. A Dell e a HP avançaram 8% cada, segundo a CNBC.

A empresa confirmou que trabalhará com Dell, HP, Lenovo, Asus, Acer, Gigabyte e MSI para lançar laptops e desktops com o novo chip a partir do outono de 2026 no hemisfério norte. A Microsoft também anunciou um dispositivo próprio com o RTX Spark.

Os perdedores

O anúncio afetou diretamente três empresas.

A Intel caiu 3,5% no fechamento de segunda — após chegar a recuar 6% na abertura do pregão. Na terça, as ações estão próximas de US$ 108, com valuation de cerca de US$ 543 bilhões.

A entrada da Nvidia no mercado de PCs é uma ameaça direta à arquitetura x86, que a Intel domina desde os anos 1970. "

Esta foi uma keynote acima da média de Jensen", escreveu o analista independente Richard Windsor, do blog Radio Free Mobile, em entrevista ao Barron's. "No topo desta lista está a Intel, cuja arquitetura x86 foi efetivamente chamada de obsoleta — tanto no data center quanto no PC, os dois mercados centrais da empresa."

A AMD, avaliada em cerca de US$ 841 bilhões antes do anúncio, recuou na sessão de segunda, recuperando perdas mais profundas do início da sessão. Apesar da queda, a empresa acumula alta de cerca de 130% em 2026.

A Qualcomm, que havia apostado na expansão para PCs com Windows por meio dos chips Snapdragon, caiu 6,9% no fechamento e segue pressionada nesta terça, com ações em torno de US$ 227.

A empresa enfrenta agora concorrência de dois lados: Nvidia com foco em IA e desempenho gráfico, e Intel e AMD defendendo o legado x86.

O que é o RTX Spark?

O RTX Spark é um chip unificado que combina uma CPU baseada em arquitetura Arm — desenvolvida em parceria com a MediaTek — com uma GPU Blackwell, a mesma geração usada nos supercomputadores de IA da Nvidia.

O chip suporta até 128 GB de memória unificada, o que permite rodar modelos de linguagem e agentes de IA localmente, sem enviar dados para servidores externos.

A Nvidia já vendia o DGX Spark, uma estação de trabalho para engenheiros de IA que custa US$ 4.699. O RTX Spark é a versão voltada ao consumidor final — com foco no segmento premium, mas com ambição de volume. Segundo a empresa, serão ao menos 30 modelos de laptops e cerca de 10 modelos de desktop usando o novo chip.

O analista Jason Tsai, da DigiTimes, enxerga um desafio a longo prazo. "A pergunta mais difícil não é se o RTX Spark é tecnicamente ambicioso — é se ele consegue se tornar um produto que as pessoas comprem em volume."

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