Com professores de 10 países, escola em SP aposta em formação global desde a base

Por Guilherme Santiago 26 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Com professores de 10 países, escola em SP aposta em formação global desde a base

A internacionalização, tema recorrente no ensino superior, começa a avançar com mais força também na educação básica. Em São Paulo, o Colégio Visconde de Porto Seguro tem estruturado, nos últimos anos, um modelo que aposta na presença de professores estrangeiros como parte central da formação dos alunos.

Hoje, são 32 docentes expatriados, vindos de países como Alemanha, Estados Unidos, China e Chile, distribuídos entre diferentes etapas de ensino.

“Quando o aluno é exposto a diferentes perspectivas, ele deixa de interpretar o mundo a partir de uma única lógica”, afirma Alexander Velasquez, diretor institucional do International Baccalaureate (IB) e de inglês da escola.

O objetivo é incorporar diferentes referências culturais e acadêmicas ao processo de aprendizagem e ampliar o repertório dos estudantes desde cedo.

Professores do International Baccalaureate (IB) do Colégio Visconde de Porto Seguro, que reúne 32 docentes expatriados de diferentes países para ampliar a formação internacional dos alunos (Arquivo Pessoal)

Na prática, a presença de professores de diferentes nacionalidades altera a dinâmica em sala: os conteúdos passam a ser abordados a partir de múltiplos contextos, com referências que vão além do currículo local.

E isso se traduz em discussões mais amplas sobre temas globais e em projetos colaborativos que exigem dos alunos argumentação, negociação e leitura de diferentes pontos de vista. “Não é uma atividade específica. Está na forma como as aulas são planejadas”, diz Velasquez.

Indicadores e expansão

Os resultados começam a aparecer em indicadores objetivos. Em 2024, alunos do Porto Seguro registraram mais de 229 aprovações em universidades internacionais, distribuídas por 14 países.

Há também desempenho elevado em certificações de idiomas reconhecidas globalmente, como Cambridge, DELE e Sprachdiplom.

A estratégia deve ganhar novas camadas nos próximos anos. A escola prevê ampliar parcerias internacionais e aumentar a presença de universidades estrangeiras em eventos internos. A implementação do International Baccalaureate (IB), a partir de 2026, faz parte desse movimento.

“O IB não muda a essência do que já fazemos. Ele adiciona um framework internacional mais estruturado”, afirma Velasquez.

O caso do Porto Seguro reflete uma tendência mais ampla: a antecipação, na educação básica, de competências que antes eram desenvolvidas apenas no ensino superior ou no mercado de trabalho.

Ao incorporar professores estrangeiros e múltiplos idiomas à rotina escolar, a escola aposta que a formação internacional pode começar antes – e que o diferencial competitivo do aluno passa, cada vez mais, pela capacidade de navegar entre culturas.

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