Com R$ 65 bi em dívidas, recuperação extrajudicial da Raízen já é a maior do país
A Raízen (RAIZ4), empresa de energia e bioenergia controlada por Cosan e Shell, já é a detentora do título de maior recuperação extrajudicial da história do Brasil após protocolar um pedido para adotar o instrumento nesta quarta-feira, 11.
O processo foi apresentado ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) e envolve a renegociação de cerca de R$ 65 bilhões em dívidas financeiras.
O plano prevê um período de standstill de 90 dias, durante o qual os pagamentos são suspensos para permitir a negociação de novas condições. Entre as medidas discutidas estão o alongamento de prazos e a possível conversão de aproximadamente 40% da dívida em participação acionária.
Apesar da reestruturação financeira, a companhia informou que as operações seguem normalmente. Em dezembro de 2025, a Raízen registrava cerca de R$ 17,3 bilhões em caixa.
Outros grandes acordos recentes
A renegociação da Raízen amplia o tamanho das recuperações extrajudiciais no país. O segundo maior caso recente envolve o GPA (Grupo Pão de Açúcar), que protocolou também na terça um acordo para reorganizar cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas não garantidas.
O plano recebeu aprovação unânime do conselho de administração e já conta com apoio de credores que representam 46% dos créditos, equivalentes a aproximadamente R$ 2,1 bilhões. A proposta prevê suspensão temporária de pagamentos por 90 dias para renegociar prazos e condições.
No setor de energia, o Grupo Rio Alto iniciou em julho de 2025 uma recuperação extrajudicial de aproximadamente R$ 2,95 bilhões. A reestruturação envolve empresas como a Rio Alto STL Holding I e unidades de geração renovável.
O plano foi motivado pelos impactos financeiros do curtailment, quando a geração de energia precisa ser limitada por restrições no sistema elétrico.
No agronegócio, a Lavoro Agro protocolou em 2025 um acordo envolvendo entre R$ 2,2 bilhões e R$ 2,5 bilhões em dívidas da Lavoro Distribuição Brasil e da Perterra. O plano incluiu fornecedores como BASF, FMC e UPL e foi homologado pela Justiça em novembro daquele ano.
Já na mineração, a Araguaia Níquel Metais, ligada à Horizonte Minerals, iniciou em fevereiro de 2025 uma recuperação extrajudicial de cerca de R$ 2,45 bilhões relacionada ao projeto Araguaia, no Pará.
Mecanismo ganha espaço
A recuperação extrajudicial tem sido utilizada por empresas que buscam reorganizar dívidas sem recorrer à recuperação judicial. O modelo exige adesão prévia de credores e posterior homologação pela Justiça.
Em 2025, foram registrados 68 casos desse tipo no Brasil, somando aproximadamente R$ 15,6 bilhões em dívidas renegociadas. No ano anterior, 62 processos movimentaram cerca de R$ 39 bilhões.
A maior parte das recuperações extrajudiciais envolve empresas com dívidas inferiores a R$ 500 milhões, mas acordos recentes ampliaram significativamente o volume das renegociações no país.
A recuperação extrajudicial permite que a companhia negocie diretamente com parte dos credores e leve posteriormente o acordo à validação judicial. Diferentemente da recuperação judicial, o processo não envolve todos os compromissos financeiros da empresa.
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