Combustível caro pressiona aéreas e desafia modelo 'low cost'
As companhias aéreas de baixo custo na Ásia estão sob crescente pressão com a alta dos preços do combustível e as disrupções causadas pelo conflito no Oriente Médio.
O cenário ameaça diretamente o modelo de negócios baseado em tarifas reduzidas e empresas do setor já começam a ajustar preços, cortar custos e rever rotas, segundo fontes ouvidas pela CNBC.
Esse modelo limita a capacidade de absorver aumentos bruscos de custos, especialmente em um momento em que o querosene de aviação (QAV) segue em alta e rotas enfrentam restrições.
Durante o Aviation Festival Asia, realizado em Singapura, executivos do setor relataram que o equilíbrio entre repassar custos e manter a demanda se tornou mais delicado.
"É preciso ajustar tarifas e, ao mesmo tempo, estimular a demanda. Caso contrário, não há passageiros", destacou à CNBC o CEO da AirAsia Cambodia, Vissoth Nam.
Guerra no Irã agrava cenário
Além da pressão inflacionária nos combustíveis, a guerra no Irã tem afetado rotas importantes. A SpiceJet, da Índia, foi uma das companhias que relatou impactos diretos em suas operações.
O diretor de atendimento ao cliente da empresa, Kamal Hingorani, pontuou que apenas Dubai concentra 77 voos semanais a partir da Índia, o que representa uma fatia relevante da receita.
Hingorani disse que o cenário já afeta rotas e receitas, e alertou que o impacto pode se intensificar.
Dados da agência de classificação ICRA, compilados pela CNBC, indicam que os preços do combustível subiram 5,4% em março na comparação anual e devem avançar ainda mais em abril.
Hingorani reconheceu que repassar 100% dos custos ao consumidor pode prejudicar a demanda. "Se os preços ficarem insustentáveis, teremos que absorver parte dos custos."
Nem todas sofrem igualmente
Já companhias com rotas menos expostas ao Oriente Médio têm apresentado desempenho mais resiliente. É o caso da Zipair Tokyo, a qual, segundo a CNBC, tem conseguido manter resultados mais estáveis.
O cofundador e futuro CEO da companhia, Yasuhiro Fukada, destacou que a empresa sente diretamente essa pressão, principalmente por não cobrar sobretaxa de combustível dos passageiros.
Tecnologia vira estratégia de sobrevivência
Para fugir dos gastos, a Zipair anunciou a adoção de internet via satélite Starlink em seus voos, permitindo substituir sistemas tradicionais de entretenimento por soluções que reduzam o consumo de combustível e custos de manutenção.
A SpiceJet, por outro lado, tem investido em soluções próprias por meio de sua subsidiária SpiceTech. O desenvolvimento interno de sistemas permitiu reduzir em cerca de 80% a dependência de fornecedores externos de tecnologia, diminuindo despesas operacionais, segundo a empresa.
A analista de aviação da Sobie Aviation, Brendan Sobie, relatou que algumas rotas de longa distância têm se mantido mais resilientes, mas o cenário geral ainda exige ajustes contínuos das companhias.
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