Como a Cacau Show vai fazer R$ 2 bilhões só com a Páscoa neste ano
A Cacau Show entra na Páscoa (sua principal alavanca de receita) com uma meta ambiciosa: transformar 2026 na maior operação da sua história.
“Esta será a Páscoa de maior volume da história da Cacau Show”, diz Alê Costa, fundador e CEO da companhia.
Os números ajudam a dimensionar o peso da companhia no setor. Segundo a Abicab, no Brasil foram produzidos 46 milhões de ovos de Páscoa neste ano – e de acordo com Costa, 25,5 milhões dos ovos foram produzidos na Cacau Show, o equivalente a mais da metade de todo o mercado nacional.
"Representar mais da metade da produção total no Brasil é uma responsabilidade que levamos muito a sério. Nosso compromisso é seguir aumentando ainda mais esse alcance sempre cuidando de todos os detalhes, desde a definição de sabores até a experiência que entregamos nas lojas”, diz Costa.
A escala não é casual. A data concentra cerca de 23% do faturamento anual e funciona como motor do plano de crescimento até 2030.
Produção começa meses antes e atinge escala industrial
Para sustentar esse volume, a operação começa muito antes do calendário comercial. A produção de ovos e itens sazonais tem início em julho e segue até março, em um ciclo contínuo.
No pico, a operação atinge níveis industriais de grande porte:
“Aqui a lógica é simples: qualidade e eficiência. Investimos em novas máquinas e tecnologia para oferecer ao consumidor o que outras marcas não conseguiram entregar nas últimas décadas”, diz Costa.
Portfólio ampliado e estratégia para todos os públicos
Neste ano, a empresa chega à Páscoa com 75 produtos, sendo 46 novidades e 19 itens licenciados.
“São 75 produtos ao todo e 46 novidades, dos quais 19 são com produtos licenciados. Então, nós temos 19 licenças entre as terceiras e as próprias”, afirma o CEO.
O portfólio vai de opções mais acessíveis, a partir de R$ 9,99, até cestas premium que chegam a R$ 1.000, além de linhas específicas para diferentes perfis de consumo.
“O mix é amplo, com preço de entrada de R$ 9,99 e opções que chegam a R$ 1.000, como as grandes cestas. Temos também os produtos zero açúcar, zero lactose, zero glúten, kosher e veganos. Ou seja, é uma Páscoa para todo mundo”, diz.
Licenciamento e marcas próprias ganham protagonismo
Parte relevante da estratégia está no uso de marcas e personagens para impulsionar vendas. Entre as parcerias estão nomes como Harry Potter e Patrulha Canina, além de propriedades intelectuais próprias.
“A laCreme já começa a ser licenciada para terceiros. Isso é novidade. Criamos um departamento específico para levar nossas marcas para empresas de outros setores”, afirma Costa.
Mesmo com cacau caro, empresa segura preço
A alta global do cacau pressionou as margens da indústria de chocolate, mas a companhia optou por preservar a qualidade dos produtos.
“O ano passado foi de menor rentabilidade da história da empresa. A gente preferiu segurar a nossa margem do que mexer em qualidade”, diz o CEO.
A decisão reflete uma estratégia clara: ganhar participação de mercado, mesmo em um cenário de custos elevados.
Crescimento e geração de empregos
A expectativa para a temporada é positiva. A empresa projeta crescimento em vendas e forte impacto na geração de empregos temporários.
“Devemos crescer 13% em vendas em relação ao ano passado e gerar 10.500 empregos temporários neste período”, afirma Costa.
Hoje, a operação conta com cerca de 2 mil funcionários diretos na fábrica de Itu e 600 na unidade de Linhares, além das equipes das lojas e da rede de franqueados.
Impacto social: 80 toneladas de chocolate doadas
Além do desempenho comercial, a Páscoa também será marcada por uma das maiores ações sociais da história da companhia.
“Vamos doar para 5 mil instituições do Brasil inteiro. As nossas lojas podem escolher uma instituição cada uma. E a outra parte, o Instituto Cacau Show, recebe a geração das instituições para a gente doar em todo o país”, diz.
Ao todo, serão 80 toneladas de chocolate distribuídas.
Páscoa como motor de um plano maior
A ofensiva na data faz parte de um projeto mais amplo: dobrar o tamanho da empresa até 2030.
Hoje, o grupo opera com cerca de R$ 5 bilhões em faturamento no sell-in e quase R$ 9 bilhões no consumo final. A meta é chegar a R$ 10 bilhões e R$ 20 bilhões, respectivamente, considerando todas as frentes, incluindo fábrica, hotel e parque temático.
“Não tem por que não acreditar, né? Acreditando, acordando cedo e trabalhando, chegaremos aonde queremos. Este é um ano da execução para nós”, diz Costa.
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O mercado de ovos de Páscoa no Brasil
A Páscoa de 2026 bateu novos recordes. A produção de chocolates avançou de 806 mil toneladas em 2024 para 814 mil toneladas em 2025, segundo dados da Abicab. Já o volume de ovos de Páscoa passou de 45 milhões no ano passado para 46 milhões neste ano, produtos cuja fabricação já tem início em agosto do ano anterior.
“A indústria de chocolates apresentou resultados bastante positivos, com crescimento na produção, no número de itens colocados no mercado e na geração de empregos temporários”, afirma Jaime Recena, Presidente Executivo da Abicab.
Outro destaque foi a geração de empregos temporários, que cresceu significativamente no período: de 9.946 vagas na Páscoa anterior para 14.558 em 2026. Desse total, pelo menos 20% dos trabalhadores são efetivados, passando a integrar o quadro fixo das empresas com carteira assinada. A diversidade de produtos também se ampliou. Neste ano, estão sendo lançados 134 lançamentos (contra 94 em 2025). A estratégia reflete o esforço da indústria em atender diferentes perfis de consumo e preferências dos brasileiros.
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