Como a derrota de Orbán pode mudar o futuro da Europa

Por Rafael Balago 13 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Como a derrota de Orbán pode mudar o futuro da Europa

Nas horas seguintes após o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, reconhecer a derrota nas eleições deste domingo, 12, líderes europeus publicaram mensagens celebrando o resultado. Orbán era um dos principais críticos do bloco, e sua saída do poder ajudará a destravar impasses, como o envio de ajuda para a Ucrânia.

"O coração da Europa bate mais forte na Hungria esta noite", disse Úrsula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia. "A Hungria escolheu a Europa. A Europa sempre escolheu a Hungria. Um país retoma seu caminho para a Europa. A União fica mais forte", afirmou.

Von der Leyen foi seguida por vários líderes do continente. "Hoje a Europa venceu e os valores europeus venceram", disse Pedro Sánchez, premiê da Espanha. Keir Starmer, premiê do Reino Unido, disse que o resultado é um "momento histórico, não só para a Hungria, mas a democracia europeia". Friedrich Merz, da Alemanha, disse que a Hungria "falou em direção a uma Europa forte, segura e, acima de tudo, unida".

Em seu discurso da vitória, Peter Magyar, o novo primeiro-ministro da Hungria, prometeu reaproximar o país do continente. Ele disse que os húngaros disseram "sim para a Europa".

"A Hungria será um forte aliado da União Europeia e da Otan de novo", disse Magyar. A multidão de apoiadores cantava gritos de "Europa".

Em seus 16 anos no cargo, Orbán se opunha a várias políticas da UE, especialmente à ajuda à Ucrânia. Ele coordenou bloqueios ao envio de armas e recursos pelo bloco, e ainda tinha proximidade com o presidente russo Vladimir Putin, que iniciou a guerra contra Kiev.

O premiê agora derrotado também tinha apoio de Donald Trump, que fez inúmeras críticas e ameaças à Europa desde que voltou à Casa Branca, em 2025, como a de reduzir as parcerias de defesa.

"Para a União Europeia e, principalmente, para a Ucrânia o resultado significa que o apoio e a ajuda em relação a Ucrânia vão ter um caminho mais tranquilo, porque o Orbán e a Hungria exerciam uma trava nas negociações", diz Maurício Moura, professor da Universidade George Washington e especialista em eleições.

Além disso, Orbán era um dos principais críticos do bloco em si, e sua derrota aumentará a coesão entre os países europeus, que buscam se unir para enfrentar os riscos trazidos pela Rússia, pelo afastamento dos EUA e pela crise no Oriente Médio.

Orban contra a UE

Orbán transformou seu país, de 9,5 milhões de habitantes, em um modelo de democracia antiliberal, no qual o governo adotou uma série de medidas para cercear universidades, a imprensa e o judiciário, além de adotar medidas contra imigrantes e pessoas LGBT, o que vai contra os princípios de respeito aos direitos humanos e à democracia defendidos pela UE.

Essas questões provocaram repetidos embates com a União Europeia. No entanto, Orbán buscou transformar isso em vantagem, lançando extensas campanhas midiáticas centradas em seus  embates "com Bruxelas", nas quais se retrata como o defensor dos interesses nacionais.

Ao mesmo tempo — e por anos —, a filiação do Fidesz, partido de Orbán, à maior família política da UE, o Partido Popular Europeu (PPE), protegeu o premiê de consequências mais severas em relação ao retrocesso democrático do sistema húngaro.

Em 2021, PPE e Fidesz romperam laços, após anos de tentativas de outros partidos-membros de pressionar Orbán a conter suas tendências autocráticas.

As repercussões foram sentidas em sua plenitude no ano seguinte, quando a UE suspendeu bilhões de euros destinados à Hungria, citando as preocupações de Bruxelas com a corrupção e o Estado de direito.

Embora o governo de Orbán tenha empreendido reformas que permitiram o desbloqueio de uma parcela desses fundos, cerca de 18 bilhões de euros (107 bilhões de reais) permanecem congelados.

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