Como a guerra no Oriente Médio chegou ao caixa das transportadoras brasileiras

Por Luiz Anversa 27 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Como a guerra no Oriente Médio chegou ao caixa das transportadoras brasileiras

Os impactos econômicos da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, no Oriente Médio, chegaram ao caixa dos frotistas brasileiros. Um levantamento da Gestran, sistema de gestão de frotas, mostra que, em um intervalo de praticamente três meses (89 dias), o preço do diesel comprado nos postos de combustível chegou a ter alta de 28,99%.

Depois desse pico, o aumento desacelerou – mesmo assim, o primeiro quadrimestre do ano encerrou com o diesel custando 17,68% mais caro.

O estudo foi feito a partir do consumo de combustível dos clientes atendidos pela plataforma da Gestran. Leva em conta o diesel S10, que se diferencia do comum ao proporcionar melhor desempenho do veículo, e tem como base o preço médio de R$ 5,80 o litro, apurado em 12 de fevereiro - duas semanas antes do início dos ataques dos Estados Unidos e Israel sobre o Irã, em 28 de fevereiro.

Menos de uma semana depois, a partir de 4 de março, tem-se início o período denominado pelo estudo como o “escalada” no valor do combustível. “Em 17 dias, o preço médio saltou de R$ 5,92 para R$ 7,30 – um aumento de R$ 1,38 por litro. Apenas em 7 de março, o preço subiu 3,13% em um único dia”, aponta o levantamento da Gestran.

O “pico” ou “platô”, como classifica o estudo, deu-se entre 21 de março e 10 de abril. O estudo detalha: “Por 21 dias consecutivos, o preço se manteve acima de R$ 7,29 – um patamar inédito no ano. A média do platô (R$ 7,36) é 26,9% superior à média da fase 1. O pico de R$ 7,42 foi registrado em 6 de abril”.

A partir de 11 de abril, e nos 30 dias subsequentes, verificou-se uma fase de “correção” ou “movimento de alívio”. “O preço iniciou um movimento descendente, fechando o período [em 11 de maio] em R$ 6,83. Apesar da queda de 7,96% em relação ao pico, o preço final ainda é 17,68% superior ao patamar pré-crise”, destaca o estudo.

Impacto financeiro

O levantamento buscou apurar quanto a volatilidade constatada significa, em reais, para uma operação real de frota.

Foi feita uma simulação aplicada sobre uma frota representativa de 50 caminhões com consumo de 6 mil litros por mês cada (portanto, 300 mil/mês, no total da frota).

O custo mensal de abastecimento em fevereiro, sem os efeitos do conflito no Oriente Médio, foi de R$ 1,740 milhão. Em abril, R$ 2,147 milhões. Portanto, um aumento de gasto de R$ 407,1 mil.

Na avaliação do CEO da Gestran, Paulo Raymundi, o encarecimento do diesel na ponta, para o frotista, é resultado da combinação de três fatores. São eles a tensão geopolítica no Oriente Médio, o reajuste de preços promovido pela Petrobras em meados de março (de R$ 0,38 o litro) e o aumento do custo do diesel importado.

“O conflito pressionou o petróleo Brent acima de US$ 90 o barril em março, com picos próximos a US$ 110, o maior patamar desde 2023. Já o reajuste da Petrobras foi repassado ao consumidor final ao longo das semanas seguintes, exatamente o padrão observado no nosso levantamento. Além disso, de 25% a 30% da demanda nacional é atendida por diesel importado”, diz Raymundi.

'Guerra abre grande oportunidade no diesel', diz CEO da Petrobras

A escalada da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, que elevou o preço do petróleo a patamares acima de US$ 100 o barril, abriu uma "grande oportunidade" para a Petrobras ampliar sua presença no mercado brasileiro de diesel e acelerar projetos para atingir a autossuficiência do país no combustível. A avaliação foi feita pela presidente da Petrobras, Magda Chambriard, durante teleconferência sobre os resultados do primeiro trimestre de 2026.

Segundo a executiva, o cenário geopolítico reforça a estratégia da companhia de ampliar o processamento de petróleo nas refinarias brasileiras e reduzir a dependência externa de diesel.

"Quando a gente olha pro resultado dessa guerra, a gente diz assim: ‘Opa, temos aqui uma oportunidade grande'", afirmou Magda. Hoje, o plano de negócios da estatal prevê atender 85% da demanda nacional de diesel até 2030, mas, segundo a presidente da estatal, a empresa já avalia projetos capazes de superar essa marca.

"Está nas nossas mãos projeto, análise de projetos que terão a capacidade não apenas de produzir 85% da demanda de diesel brasileira até 2030, mas sim superar essas marcas", disse. "Muito provavelmente seremos capazes de entregar um parque de refino capaz de fornecer 100% da demanda brasileira de diesel".

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: