Como a Microsoft quer ensinar IA a 5 milhões de brasileiros em três anos

Por Leo Branco 11 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Como a Microsoft quer ensinar IA a 5 milhões de brasileiros em três anos

Priscyla Laham, presidente da Microsoft Brasil, apresentou no Web Summit Rio 2026 os detalhes do maior investimento único da empresa em seus 37 anos no país.

O plano, decidido no final de 2024, envolve o investimento na ampliação de capacidade de data centers no Brasil e a preparação da força de trabalho para adoção de inteligência artificial.

“O investimento não é para substituir pessoas, mas para expandir a capacidade humana”, afirmou a executiva.

O impacto da IA nas empresas brasileiras

Um estudo conduzido pela IDC e comissionado pela Microsoft Brasil com 73 executivos de empresas com mais de mil funcionários apontou que 88% deles acreditam que a IA será o principal motor de competitividade até 2030, e 90% consideram que a tecnologia será um diferencial-chave em seus setores.

Mais da metade (51%) das empresas pretende escalar a tecnologia nos próximos dois anos, enquanto atualmente 41% aplicam a IA em casos de uso limitados e 23% já a utilizam em diversas áreas.

Segundo a pesquisa, as empresas já observam ganhos médios de 24,5% associados às iniciativas de IA. Os principais impactos incluem aumento da satisfação do cliente (28,2%), eficiência de processos (27,7%), redução de riscos (26,9%) e aceleração de lançamentos no mercado (25,2%).

Além disso, 24% dos executivos afirmam que a IA está aumentando a produtividade dos funcionários, e 19,7% relatam crescimento de receita.

Laham destacou que a centralidade humana é essencial para o sucesso da IA nas empresas. “Boa parte da inteligência das empresas está na força de trabalho, não apenas nos dados”, disse.

A Microsoft está investindo em treinamento de 5 milhões de brasileiros nos próximos três anos, incluindo plataformas como o Conecta e parcerias com 40 entidades públicas e privadas, alcançando 3,8 milhões de pessoas treinadas e 1 milhão com certificações.

Segundo a executiva, a próxima geração de profissionais trará consigo um conjunto de agentes de IA, capazes de executar tarefas complexas que antes exigiam equipes inteiras.

“Um único profissional, equipado com agentes, poderá entregar o que antes era tarefa de um departamento inteiro”, explicou Laham.

O papel do Brasil na cadeia global de IA

A Microsoft vê o Brasil como um polo estratégico, não apenas como fornecedor de infraestrutura ou energia limpa. Segundo Laham, fatores como a população digitalizada, alta demanda por eficiência em setores como varejo, manufatura e financeiro, e o ecossistema de quase 5 milhões de desenvolvedores no GitHub permitem ao país inovar e criar valor na cadeia global de IA.

A empresa introduz o conceito de Frontiers Firms: organizações operadas por IA, mas lideradas por humanos, onde as decisões são baseadas em dados ricos gerados pelo trabalho diário.

“As empresas que capturam a inteligência real estão integrando IA à comunicação ativa das equipes, não apenas a bancos de dados frios como CRM”, afirmou Laham.

Além da expansão física e da capacitação, a Microsoft enfatiza que a IA deve estar alinhada a objetivos de negócio claros. Projetos isolados não geram retorno.

A pesquisa com IDC mostrou que 90% dos executivos entrevistados veem a IA como fator de competitividade, mas apenas aqueles que integram a tecnologia à estratégia obtêm resultados concretos.

A capacitação inclui treinamento de funcionários de empresas clientes: nos últimos dois meses, 40.000 colaboradores foram treinados para usar ferramentas de IA de forma eficiente.

Laham destaca que iniciativas de inclusão e certificação são essenciais, pois profissionais certificados têm maior empregabilidade em um mercado com mais vagas do que pessoas qualificadas.

O evento, realizado de 8 a 11 de junho no Riocentro, reuniu mais de 40 mil participantes, 1.500 startups e 600 investidores.

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