Como a SMZTO quer transformar a saúde primária com assinaturas de R$ 64 e franqueado vendedor

Por Isabela Rovaroto 1 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Como a SMZTO quer transformar a saúde primária com assinaturas de R$ 64 e franqueado vendedor

O acesso à saúde básica ainda trava no Brasil. Consulta demora, exame atrasa, prevenção fica para depois. É nesse espaço, entre o SUS sobrecarregado e o plano privado caro, que novas empresas tentam entrar.

A mais recente investida vem da SMZTO, holding de franquias liderada por José Carlos Semenzato. O grupo se tornou sócio da BeneMed, uma healthtech que vende serviços de saúde por assinatura, com mensalidades a partir de 64 reais. A proposta é levar consultas, exames e telemedicina com desconto para quem não tem plano.

A empresa já nasce com alguma musculatura. Estruturada nos últimos anos, a plataforma reúne mais de 67 mil médicos, cerca de 20 mil clínicas e aproximadamente 7 mil redes de laboratórios conectados em todo o país.

A história ganha relevância agora por dois movimentos que se cruzam. De um lado, a SMZTO sai de uma jornada longa com a OdontoCompany e busca novas avenidas em saúde. Do outro, aposta em um modelo pouco explorado no setor. Em vez de clínicas ou hospitais, a distribuição vem via microfranquias e franqueados atuando como vendedores locais.

“O nosso modelo foi desenhado para entregar uma solução simples, acessível e com alto valor percebido para o usuário final”, afirma Sergio Machado, CEO da BeneMed.

A ambição é alta. A companhia projeta atingir 2 milhões de vidas e alcançar 1,5 bilhão de reais em faturamento em até três anos.

A meta inclui centenas de franqueados e uma base crescente de clientes recorrentes.

No longo prazo, a tese é mais ampla. Criar uma nova camada de acesso à saúde básica no país, com custo menor e capilaridade maior.

O franqueado vendedor

O coração do modelo está no franqueado. Não há clínica, recepção ou equipe médica própria. O franqueado funciona como um vendedor, muitas vezes atuando de casa, com foco em relacionamento local.

“Queremos empreendedores engajados em levar saúde acessível para suas regiões”, afirma Semenzato.

Há também uma vantagem interna. O grupo tem um ecossistema com dezenas de milhares de colaboradores.Parte dessa base pode virar cliente ou canal de distribuição.

A escolha não é por acaso. Segundo Semenzato, há um público crescente interessado em empreender com pouco capital.

“Tenho recebido muito pedido de pessoas que querem investir com 10 mil, 20 mil reais. Esse modelo atende essa demanda”, afirma.

O investimento inicial gira em torno de 20 mil reais. A promessa é de operação enxuta e retorno mais rápido, sustentado pela recorrência das assinaturas.

Como funciona a BeneMed

A BeneMed não é plano de saúde. Também não é apenas um cartão de desconto. A empresa tenta ocupar um espaço intermediário.

“O nosso ticket médio é menos de um décimo de um plano tradicional. Não competimos com operadoras”, afirma Machado.

A proposta resolve uma dor real. Hoje, a maior parte da população não tem plano de saúde e depende do sistema público. Ainda assim, o modelo exige educação do consumidor.

A principal tensão está na expectativa. O usuário pode entender o serviço como substituto de um plano completo, quando na prática ele cobre apenas parte da jornada.

A empresa tenta reduzir esse risco com promessas de agendamento rápido e rede ampla. “Garantimos que em até 48 horas o cliente será atendido na especialidade que procura”, diz o CEO.

Um mercado com grande potencial

O tamanho da oportunidade ajuda a explicar o interesse. Há dezenas de milhões de brasileiros sem acesso a planos privados. Ao mesmo tempo, o sistema público enfrenta filas e limitações.

Esse vácuo abre espaço para soluções híbridas. Mais baratas, mais flexíveis, menos completas.

“O atendimento emergencial do SUS funciona bem. O problema está no acesso ao atendimento primário”, diz Semenzato.

A BeneMed mira exatamente esse ponto. Consultas simples, exames preventivos, orientação básica.

O desafio está em fazer isso funcionar em escala sem perder qualidade. A empresa fala em uma rede com milhares de médicos, clínicas e laboratórios conectados para atender a maior parte da população que carece de atendimento primário.

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