Como essa advogada usa IA para decisões mais estratégicas: ‘Aumentou o número de pessoas usando mal’
A rápida popularização da IA criou um novo paradoxo no mercado de trabalho: nunca se usou tanto a tecnologia e, ao mesmo tempo, nunca se usou tão mal.
Essa é a avaliação da advogada e conselheira Lucila Carvalho, que acompanha de perto a transformação no Direito e em empresas de diferentes setores. “Eu acho que aumentou o número de pessoas usando mal”, avalia.
Para ela, o problema não está no acesso às ferramentas, mas na forma superficial com que muitos profissionais passaram a utilizá-las.
“Não é igual ao Google. Precisa ter critério para saber fazer o comando e, principalmente, para avaliar a resposta”, explica.
Sem esse cuidado, o risco é alto: respostas imprecisas, análises frágeis e decisões baseadas em informações equivocadas.
Estudar IA de forma estruturada
Com uma carreira consolidada, Lucila atua em três frentes: como advogada em arbitragens complexas, sócia de um escritório de advocacia empresarial e conselheira consultiva de uma empresa de assessoria de investimentos.
Foi justamente essa visão transversal que a levou a voltar à sala de aula para estudar inteligência artificial de forma estruturada no PIACC, um programa de inteligência artificial da Saint Paul para a altíssima liderança.
“Eu queria entender melhor o impacto da IA não só como ferramenta, mas como uma alavanca estratégica para tomada de decisão e geração de valor”, diz.
Enquanto muitos usam IA de forma superficial, Lucila Carvalho seguiu outro caminho:aprofundou o conhecimento para transformar a tecnologia em vantagem estratégica
A experiência, segundo ela, foi determinante para mudar sua forma de enxergar o próprio trabalho. Ao longo do curso, teve contato com temas que vão de ciência de dados e implementação estratégica à cultura organizacional e questões éticas. Também passou por módulos técnicos, incluindo programação – um desafio incomum para profissionais do direito.
“Hoje, quando eu converso com alguém da área, consigo entender muito melhor. Isso já mudou minha prática.”
Como ela usa IA no dia a dia
No dia a dia, a aplicação é direta. Em arbitragens, que frequentemente envolvem grandes volumes de documentos e alta complexidade técnica, a IA tem sido usada para analisar dados, identificar padrões e estruturar argumentos com mais consistência. “Você ganha velocidade, profundidade analítica e uma capacidade maior de antecipar cenários e riscos”, afirma.
No escritório, o foco está na automação de tarefas repetitivas, liberando advogados para atividades mais estratégicas. Já no conselho, o papel é mais amplo: disseminar a cultura de dados e incentivar o uso da IA em todas as áreas do negócio, da operação ao marketing. “A IA não pode ficar restrita a um departamento. Tem que estar em toda a empresa, do júnior ao sênior.”
Para Lucila, o diferencial não está em usar IA, mas em saber usar. Isso exige domínio técnico, pensamento crítico e, sobretudo, uma base sólida na própria área de atuação. “Não adianta a tecnologia. Você precisa ser um bom profissional antes de tudo”, afirma.
Planos para o futuro
O movimento, na visão dela, ainda está no início — e tende a se intensificar. À medida que mais pessoas passam a utilizar inteligência artificial, a diferença entre quem aplica bem e quem aplica mal deve se tornar mais evidente. “Quem está se preparando está saindo na frente.”
Nos próximos anos, Lucila pretende continuar investindo em formação e expandindo o uso estratégico da IA nas frentes em que atua. Em um cenário de mudanças aceleradas, a atualização constante deixou de ser opcional.
E, para ela, a principal lição é clara: mais do que adotar novas ferramentas, será preciso desenvolver uma nova forma de pensar.
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