Como está a 'Marca Brasil'? Uma pista: admirada na cultura e criticada na segurança
O Brasil tem boa imagem internacional em temas como cultura, recursos naturais e agronegócio. Mas a reputação do país fica arranhada quando se pergunta a cidadãos de todo o mundo sobre a segurança pública e a estabilidade político-econômica.
Esse foi a conclusão de uma pesquisa da consultoria OnStrategy, baseada em 400 mil entrevistas realizadas em 27 países, apresentada nesta semana pela Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil (ADVB).
O levantamento, que divide a percepção de diversos setores brasileiros, tanto no país quanto no exterior, em uma escala de 0 a 10, revela dados importantes — a percepção internacional sobre o Brasil ainda é marcada por uma dualidade entre sua força cultural, diversidade em uma miríade de aspectos e relevância econômica e seus problemas com segurança, estabilidade tanto política quanto econômica, e confiança institucional.
O estudo mostra que o Brasil ainda tem alto valor simbólico e boa percepção nos mercados internacionais, principalmente em áreas relacionadas à cultura e aos recursos naturais. Relevante é a imagem do agronegócio como um dos principais ativos brasileiros, inclusive a reputacional, o que nos confere uma boa percepção no cenário internacional.
Pontos negativos
Ao mesmo tempo, o Brasil segue com sérios entraves principalmente em segurança pública e estabilidade político-econômica, o que reflete índices de violência e corrupção, tanto política quanto institucional.
O atributo “estilo de vida e segurança”, por exemplo, recebeu nota 5,4 entre brasileiros e 4,4 na percepção internacional, enquanto “ambiente político, econômico e social” registrou 5,5 no mercado interno e 5,2 no exterior.
“A grande questão da Marca Brasil não é apenas comunicação, mas alinhamento entre percepção e realidade. O país já possui reconhecimento internacional em áreas como cultura, turismo e agronegócio, mas ainda precisa transformar esses ativos em uma estratégia consistente de confiança, inovação e competitividade”, afirma à imprensa Pedro Tavares, fundador da OnStrategy.
Outro ponto negativo é a baixa associação do Brasil nas áreas de inovação e tecnologia, e também no nosso baixo protagonismo na liderança global.
Mais precisamente, a avaliação dos correspondentes da pesquisa é de que o país ainda é percebido internacionalmente por estereótipos históricos, criando uma imagem de um país pouco desenvolvido, enquanto áreas estratégicas da economia mantêm baixa visibilidade reputacional fora do mercado doméstico.
À luz disso, durante o encontro em São Paulo, executivos e representantes setoriais defenderam, com coesão, a necessidade de uma estratégia mais consistente de posicionamento internacional, capaz de alinhar excelência produtiva, sustentabilidade, inovação e confiança institucional. Segundo os participantes, a reputação de um país passou a ter impacto direto nos negócios, no turismo, nas exportações e na influência econômica global.
“A pesquisa mostra que o Brasil já desperta admiração global em diversos setores, mas ainda enfrenta desafios estruturais que limitam sua percepção de confiança. O debate sobre Marca Brasil precisa deixar de ser pontual e passar a integrar uma agenda contínua de posicionamento do país”, afirma Livio Giosa, presidente da Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil.
Veja abaixo a tabela da pesquisa:
Principais dados
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