Como funciona o provável 1º tratamento contra Parkinson no mundo

Por Vanessa Loiola 6 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Como funciona o provável 1º tratamento contra Parkinson no mundo

O Japão aprovou um tratamento inédito contra a doença de Parkinson baseado no uso de células-tronco reprogramadas em laboratório. A terapia, chamada Amchepry, foi desenvolvida pela farmacêutica japonesa Sumitomo Pharma e recebeu autorização do Ministério da Saúde do país para produção e comercialização nesta sexta-feira, 6.

O procedimento funciona por um transplante de células-tronco diretamente no cérebro do paciente. Segundo as autoridades japonesas, pode começar a ser disponibilizado aos pacientes já em 2026, após aprovação considerada condicional e com prazo limitado.

Como funciona o tratamento contra Parkinson

A terapia utiliza células iPS, que são obtidas a partir de células adultas já especializadas. Essas estruturas passam por um processo de reprogramação genética, retornando a um estado semelhante ao de células jovens.

Depois disso, elas podem ser transformadas em diferentes tipos celulares. No tratamento contra Parkinson, os cientistas desenvolvem células precursoras de neurônios produtores de dopamina.

Esse material é então implantado no cérebro do paciente, com o objetivo de substituir os neurônios que deixam de funcionar com o avanço da doença.

Testes clínicos com pacientes

O tratamento foi avaliado em um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Kyoto. O ensaio incluiu sete pacientes com Parkinson, com idades entre 50 e 69 anos. Durante o procedimento, cada participante recebeu entre cinco e dez milhões de células implantadas em cada lado do cérebro.

As estruturas utilizadas vieram de doadores saudáveis e foram cultivadas em laboratório até se transformarem em precursoras de neurônios dopaminérgicos. Segundo os pesquisadores, o procedimento demonstrou segurança e sinais de melhora nos sintomas apresentados pelos participantes.

A tecnologia utilizada no tratamento tem origem nas pesquisas do cientista japonês Shinya Yamanaka. O cientista recebeu o Prêmio Nobel de Medicina em 2012 pela descoberta das células-tronco pluripotentes induzidas, conhecidas como células iPS.

Essas células podem ser transformadas em diferentes tecidos do organismo e são consideradas uma das bases da medicina regenerativa moderna.

Outra terapia também foi aprovada no Japão

Além do tratamento contra Parkinson, o Ministério da Saúde japonês também autorizou uma terapia voltada para insuficiência cardíaca grave.

O procedimento, chamado ReHeart, foi desenvolvido pela startup médica Cuorips. Para o tratamento, a tecnologia utiliza lâminas de músculo cardíaco cultivadas em laboratório, que podem estimular a formação de novos vasos sanguíneos e ajudar a restaurar a função do coração.

Assim como a terapia para Parkinson, esse tratamento também deve começar a ser disponibilizado aos pacientes a partir de meados de 2026.

Doença afeta milhões de pessoas no mundo

A doença de Parkinson é um distúrbio neurológico crônico e degenerativo que afeta o sistema motor do corpo. Entre os sintomas mais comuns estão tremores e dificuldades de movimento. De acordo com a Parkinson’s Foundation, cerca de 10 milhões de pessoas vivem com a doença em todo o mundo.

Embora existam medicamentos que ajudam a controlar os sintomas, ainda não há cura definitiva, motivo pelo qual novas terapias regenerativas têm despertado grande interesse na comunidade científica.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: