Como o ataque a Trump pode mexer com a política dos EUA?
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, foi retirado às pressas de um jantar no sábado, 25, enquanto um atirador tentava entrar no local. Nos dias seguintes à ação, da qual Trump saiu ileso, surge o debate sobre se esse ataque poderá, de alguma forma, afetar os rumos de seu governo e das próximas eleições.
Após o ataque, Trump e seus aliados passaram a culpar os rivais democratas pelo ocorrido. "O discurso de ódio dos democratas é muito perigoso. Eu realmente acho que é perigoso ao país", disse Trump, em uma entrevista divulgada no domingo e replicada nas redes sociais da Casa Branca.
"A esquerda tentou matar o presidente Trump [de novo]", disse o senador Tim Scott, da Carolina do Sul. "Líderes de esquerda chamam a violência contra conservadores", afirmou, sem citar quem seriam esses líderes.
Midterms a caminho
A tentativa de culpar a oposição pelo ataque pode ser uma forma de tentar mobilizar eleitores republicanos, em um momento de baixa popularidade do presidente. Pesquisa da Reuters/Ipsos, feita entre 15 e 20 de abril, mostra que 36% dos americanos o aprovavam, o menor percentual desde o início do mandato.
Os americanos vão às urnas em novembro, para renovar o Congresso, e os republicanos poderão perder a maioria que possuem hoje, na Câmara e no Senado, se a baixa aprovação do presidente desanimar os eleitores do partido.
Na eleição de 2024, Trump teve um momento de impulso na campanha após ser alvo de um ataque a tiros durante um comício em Butler, na Pensilvânia. Naquela ocasião, em julho, uma bala atingiu sua orelha e, por centímetros, não o matou. Ao sair do palco, Trump ergueu o punho, ainda ensanguentado, e a imagem virou um de seus símbolos na campanha.
O republicano foi alvo de outra tentativa de ataque em setembro de 2024, quando um atirador foi preso perto de um campo de golfe na Flórida, onde Trump estava. Ele não se feriu.
Naquela campanha, os ataques a Trump foram apresentados como um sinal claro de que ele estaria lutando para valer pelos americanos, contra inimigos que poderiam tirar sua vida, em uma narrativa que se encaixava em diversas teorias conspiratórias que circulavam entre parte de seus apoiadores.
Redução de críticas
Analistas apontam que após um ataque como este, há uma tendência de que os opositores e a imprensa tendam a baixar o tom nas críticas contra o presidente, mesmo que por um período curto. Em 2024, por exemplo, após o ataque de Butler, a oposição passou a falar menos que Trump era uma ameaça à democracia.
Após a ação deste sábado, alguns democratas concordaram com uma demanda de Trump, de que é preciso avançar com a construção de um salão de festas na Casa Branca, para aumentar sua segurança. As principais lideranças da oposição condenaram o ataque ao presidente.
Desta vez, prever o efeito dos ataques nas eleições fica mais difícil também pelo tempo. A votação será apenas em novembro, daqui a mais de seis meses, e as campanhas ainda não começaram para valer. Em um governo que gera notícias todas as semanas de modo frenético, a forma como esse ataque será lembrado daqui a meses é uma incógnita.
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