Como o Canadá, sede da Copa, equilibra produção de petróleo e busca pelo net-zero
A Copa do Mundo de 2026 já começou oficialmente: a primeira partida foi nesta quinta-feira, 11, e abriu o campeonato realizado em conjunto pelos países da América do Norte: Estados Unidos, México e Canadá serão sede das partidas das 48 nações participantes.
Hoje, às 16h, o Canadá faz sua estreia contra a Bósnia e Herzegovina, diante de torcedores ansiosos e sob os olhos do mundo. Fora dos gramados, porém, o país enfrenta outro tipo de desafio: conciliar sua economia ainda muito ligada ao petróleo com políticas climáticas e de proteção ambiental ambiciosas.
Em dezembro de 2025, o Canadá registrou seu maior volume mensal de produção de petróleo bruto e equivalentes, reforçando seu papel como potência energética global. Ao mesmo tempo, o governo mantém metas climáticas robustas: reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 40% a 45% abaixo dos níveis de 2005 até 2030 e atingir emissões líquidas zero até 2050.
Para o setor de petróleo e gás, foi proposto um teto de emissões com corte de 35% a 38% até 2030, desenhado para reduzir poluição sem necessariamente travar a produção.
Petróleo vs transição no Canadá
Apesar de ser um grande produtor de petróleo, a matriz elétrica do Canadá é relativamente limpa. Em 2024, 63,9% da eletricidade derivava de fontes renováveis. Em 2026, o número conquistou a um aumento tímido, chegando aos 65%.
A matriz do país ainda conta com 78% de fontes sem emissão de gases de efeito estufa, como de hidrelétricas, eólicas, solares e nucleares. O país conta com Regulações para a Eletricidade Limpa (tradução literal de Clean Electricity Regulations) impõem limites às emissões de usinas fósseis a partir de 2035, com o objetivo de alcançar um sistema elétrico de emissões líquidas zero até 2050.
O país também busca avançar na proteção ambiental e na conservação de seus recursos naturais. O Canadá aderiu ao compromisso internacional de proteger 30% das terras e oceanos até 2030, detalhado na estratégia nacional “A Force of Nature”. Em 2026, foi lançado o Forest Sector Action Plan, que pretende transformar o setor florestal, proteger empregos e acelerar a transição industrial sustentável.
Todas essas políticas climáticas estão formalizadas na Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) do Canadá no âmbito do Acordo de Paris, reafirmando a redução de 40%-45% das emissões até 2030 e a meta legal de atingir emissões líquidas zero até 2050.
O contraste entre o aumento da produção de petróleo e a ambição climática gera críticas de organizações ambientais e analistas de clima, mas também mostra um país tentando equilibrar desenvolvimento econômico e sustentabilidade.
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