Como o plano de R$ 350 bilhões da Stellantis pode mudar a cena automotiva até 2030
Se a última edição do Salão de Pequim, em abril, foi uma demonstração de que a invasão chinesa no mercado nacional está apenas começando, o plano da Stellantis de investir 60 bilhões de euros (R$ 350 bilhões) até 2030 para acelerar seu crescimento global e sua rentabilidade pode ser interpretado como um testamento do vigor ainda preservado pela agora considerada indústria tradicional de automóveis.
O anúncio foi feito na última quinta-feira, 21, por Antonio Filosa, CEO da companhia e ex-presidente da Stellantis para a América do Sul, durante o Investor Day, em Auburn Hills (Michigan), cidade vizinha a Detroit, outrora o epicentro automotivo dos Estados Unidos.
Batizado de FaSTLAne 2030 – as letras em maiúsculo aludem à nomenclatura da empresa na Bolsa de Nova York –, o plano tem como principal efeito a reestruturação das marcas e da oferta de produtos, intensificando o intercâmbio de plataformas.
Com maior escala e potencial de lucratividade, Jeep, Ram, Peugeot e Fiat são agora marcas globais – e por isso o destino de 70% dos investimentos até o fim da década. Chrysler, Dodge, Citroën, Opel e Alfa Romeo passam a ser consideradas marcas regionais, enquanto Lancia e DS serão gerenciadas por Fiat e Citroën, respectivamente.
“Cada marca da Stellantis desempenhará um papel claro no cumprimento dos nossos compromissos do FaSTLAne 2030”, explica Filosa.
O investimento da Stellantis em tecnologia
Dos 60 bilhões de euros, 24 bilhões (R$ 140 bilhões) serão investidos em novas tecnologias, sistemas de propulsão e plataformas. A primeira arquitetura inédita será a STLA One, também revelada durante o Investor Day. Modular, a nova plataforma abastecerá os segmentos B, C e D, sendo a base de mais de 30 modelos e somando mais de 2 milhões de veículos até 2035.
“A STLA One é um exemplo claro de uma estratégia verdadeiramente modular, nos proporcionando a flexibilidade de uma plataforma multienergética sem carregar ineficiências de um sistema de propulsão para outro”, resume Ned Curic, Diretor de Engenharia e Tecnologia. A empresa não revelou o primeiro modelo a ser amparado pela nova base, que estreará no próximo ano.
A Stellantis também destaca a STLA Brain, arquitetura central de computação e software, STLA SmartCockpit, que segundo a Stellantis “definirá uma nova forma de os clientes interagirem com seus veículos”, e o STLA AutoDrive, seu sistema de condução autônoma, tecnologias que serão lançadas em 2027.
Até 2030, estão previstos mais de 60 lançamentos e 50 “atualizações relevantes de produtos”, abrangendo todas as marcas e diferentes tecnologias de propulsão, incluindo 29 veículos elétricos a bateria, 15 híbridos plug-in ou elétricos de autonomia estendida, 24 híbridos e 39 modelos com motores a combustão ou híbridos leves.
As marcas globais terão prioridade nos lançamentos. Há planos também para a Maserati, que receberá dois novos elétricos.
“O FaSTLAne 2030 é o resultado de meses de trabalho disciplinado em toda a empresa e foi concebido para impulsionar um crescimento rentável a longo prazo. Com o cliente no centro de tudo o que fazemos, o plano concretizará o nosso propósito: mover as pessoas por meio de marcas e produtos que elas amam e em que confiam”, explica Filosa.
O plano estratégico também é um aceno aos investidores da empresa, que no ano passado registrou prejuízo líquido de 22,3 bilhões de euros (R$ 129,3 bilhões). Uma das metas do FaSTLAne 2030 é o crescimento da receita da companhia, de 154 bilhões de euros em 2025 para 190 bilhões de euros até 2030.
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: