Como o VAR vai funcionar na Copa do Mundo 2026 — e por que será o mais avançado da história
O gesto do árbitro, desenhando o retângulo no ar, ainda será visto na Copa do Mundo de 2026. No entanto, o que acontece nos bastidores desse gesto foi completamente transformado.
A edição do torneio, que começa em 11 de junho nos Estados Unidos, México e Canadá, será marcada pelo pacote tecnológico mais avançado da história, com o VAR no centro dessa revolução.
A bola que pensa
Tudo começa na bola. A bola oficial da Copa de 2026 se chama Trionda e foi produzida pela Adidas. Batizada em alusão à "ola" realizada nos estádios — Trionda significa "três ondas" —, a bola homenageia os três países sede e tem foco especial em tecnologia.
Em seu interior, um dos quatro painéis abriga um chip sensor de movimento com unidade de medição inercial de 500 Hz, posicionado em uma camada especialmente criada dentro do painel, e não no centro geométrico da bola, como nas versões anteriores.
O sistema envia dados precisos em tempo real ao VAR, o que, combinado ao rastreamento de posição dos jogadores e à inteligência artificial, ajudará os árbitros a tomar decisões de impedimento mais rapidamente.
A tecnologia também permite identificar cada toque individual na bola, reduzindo o tempo de análise em lances de possível toque de mão, segundo a Adidas.
Câmeras, avatares e inteligência artificial
Dezenas de câmeras de rastreamento óptico operam sincronizadas sob a estrutura de cada estádio, dedicadas ao monitoramento tático. O sistema mapeia os pontos físicos vitais de cada atleta no gramado dezenas de vezes por segundo — incluindo pés, joelhos e ombros, as extremidades consideradas na regra do impedimento.
Para tornar esse rastreamento ainda mais preciso, todos os 1.248 jogadores inscritos no torneio passarão, antes do início da competição, por um escaneamento corporal de aproximadamente um segundo, capaz de registrar suas medidas com precisão.
Esses dados serão usados para criar avatares digitais em 3D de cada atleta, integrados ao sistema de impedimento semiautomático para auxiliar em jogadas rápidas ou com obstrução visual.
O objetivo declarado pela Fifa é acelerar e aumentar a precisão das decisões de impedimento — reduzindo o tempo de análise sem eliminar completamente a visualização assistida.
O que o VAR poderá revisar na Copa
As regras de atuação do VAR foram ampliadas para 2026. A IFAB aprovou as mudanças em sua 140ª Assembleia Geral e confirmou que serão aplicadas na Copa do Mundo de 2026, com as novas leis entrando em vigor globalmente a partir de 1º de julho de 2026.
Foram abertas três novas possibilidades de intervenção do VAR: segundo cartão amarelo claramente incorreto que resulte em expulsão, identidade trocada (quando o árbitro pune o jogador errado com cartão amarelo ou vermelho) e escanteios claramente concedidos de forma errada.
Um detalhe importante: o VAR só poderá verificar segundo amarelo incorretamente aplicado — não poderá sugerir um segundo amarelo onde nenhum foi dado em campo. Já a revisão de escanteios é uma opção para as competições, não uma obrigatoriedade do protocolo do VAR.
A revisão de escanteios só poderá ocorrer se puder ser concluída imediatamente e sem atrasar o reinício da partida.
Novas regras contra perda de tempo
O pacote de mudanças da IFAB vai além do VAR. Se o árbitro considerar que uma reposição lateral ou tiro de meta está demorando demais, iniciará uma contagem regressiva de cinco segundos.
Se a bola não entrar em jogo ao fim do tempo, a posse passa para o adversário no caso do lateral. E no tiro de meta, o adversário ganha um escanteio.
Jogadores substituídos terão dez segundos para deixar o campo após a sinalização oficial.
Se não cumprirem o prazo, o substituto deverá aguardar pelo menos um minuto e até a próxima paralisação antes de entrar.
Jogadores que causarem paralisação por lesão e receberem atendimento em campo deverão sair e permanecer fora por um minuto após a retomada do jogo.
O árbitro na era da IA
Uma das novidades mais visíveis para o torcedor será o Referee View.
O recurso aplica estabilização por inteligência artificial às imagens captadas pela câmera acoplada ao árbitro, com transmissão em tempo real.
A tecnologia foi apresentada pela Fifa e pela Lenovo em janeiro de 2026 e foi previamente testada no Mundial de Clubes de 2025. A versão aprimorada com estabilização por IA está confirmada para uso na Copa do Mundo.
A própria IFAB habilitou o uso de câmeras corporais pelos árbitros, sujeito à decisão de cada competição.
A Lenovo, parceira oficial de tecnologia da Fifa para a Copa de 2026, está envolvida na infraestrutura de processamento de dados, servidores de inteligência artificial e sistemas de suporte ao VAR durante o torneio, segundo comunicado oficial da Fifa.
O que muda para o torcedor
As decisões do VAR devem ganhar representações mais detalhadas e visuais nas transmissões e nos telões dos estádios, com foco em tornar a interpretação dos lances mais compreensível para o público.
A Fifa quer que o torcedor entenda — não apenas aceite — o que aconteceu em campo.
Em resumo, a Copa de 2026 chegará com bola conectada, impedimento semiautomático aprimorado com avatares 3D, expansão do escopo do VAR para três novos tipos de lance e novas ferramentas de transmissão como o Referee View.
O VAR chegou ao futebol em 2018 prometendo justiça. Em 2026, a promessa é que essa justiça também seja mais rápida e mais fácil de ver.
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