Como o Wi-Fi a bordo virou uma disputa bilionária entre Musk e Bezos
A corrida das companhias aéreas para oferecer internet rápida durante os voos está criando um novo campo de batalha entre duas das maiores empresas do setor espacial: a Starlink, de Elon Musk, e a rede de satélites Leo, da Amazon, fundada por Jeff Bezos.
Impulsionadas pela busca por passageiros de maior poder aquisitivo e pela expansão de serviços premium, as companhias aéreas vêm acelerando investimentos em conectividade ao ampliar o acesso à internet a bordo.
A Starlink abriu vantagem significativa e consolidou sua posição como principal fornecedora de internet via satélite para o setor, conquistando 11 novos clientes do setor aéreo apenas em 2026, segundo dados da Valour Consultancy divulgados pela Reuters.
O número se soma a 22 contratos fechados em 2025 e oito em 2024, evidenciando uma aceleração expressiva em relação aos três acordos registrados em 2022.
Conectividade atrelada à competitividade
Além de melhorar a experiência do passageiro, a conectividade passou a ser vista como uma ferramenta para fortalecer programas de fidelidade, ampliar vendas de serviços adicionais e aumentar a retenção de clientes.
Executivos do setor avaliam que o Wi-Fi rápido deixará de ser um diferencial para se tornar um requisito básico.
"Todas as companhias aéreas vão querer ter a sua própria versão", na avaliação do presidente da Amadeus, Decius Valmorbida, em entrevista à Reuters.
Dados da agência mostram que a tecnologia da Starlink utiliza milhares de satélites em órbita terrestre baixa, o que permite velocidades superiores às oferecidas pelos sistemas tradicionais.
Amazon aposta em ecossistema mais amplo
Já a a Amazon busca espaço no mercado por meio de uma estratégia diferente. A empresa já garantiu acordos com Delta Air Lines e JetBlue, seus primeiros clientes no segmento aéreo.
Enquanto a Starlink enfatiza velocidade e facilidade de instalação, a Amazon promove a integração entre sua rede de satélites e outros serviços do grupo, incluindo computação em nuvem, entretenimento e comércio eletrônico.
A Delta, por exemplo, escolheu a solução da Amazon para uma primeira etapa que envolverá cerca de 500 aeronaves a partir de 2028, aproveitando sua relação já existente com a Amazon Web Services (AWS).
Custos elevados limitam adoção do sistema
A implementação das novas tecnologias exige, porém, altos investimentos das companhias aéreas. Estimativas do Jefferies indicam que a instalação da Starlink na frota da American Airlines pode custar entre US$ 150 milhões e US$ 250 milhões, sem considerar despesas anuais de serviços.
Esses custos explicam por que algumas empresas permanecem cautelosas. A Ryanair, por exemplo, descartou adotar a Starlink, citando o impacto financeiro e o aumento no consumo de combustível provocado pelos equipamentos necessários para a operação do sistema.
Mas a empresa de Musk ampliou sua presença recentemente com novos contratos. A própria American Airlines anunciou que pretende equipar mais de 500 aeronaves de corredor único com a tecnologia a partir de 2027.
A Southwest escolheu a solução da SpaceX para acelerar a implementação de internet de alta velocidade em sua frota. Atualmente, a SpaceX possui contratos relacionados a mais de sete mil aeronaves.
O diretor de clientes da Southwest, Tony Roach, por outro lado, não descartou o Leo, da Amazon. "Há várias maneiras de chegar lá", isto é, na conectividade de ponta.
"Quero dar a vocês cada vez menos motivos para reservar voos com outra companhia aérea ou sentirem que precisam viajar com outra companhia aérea", acrescentou o CEO da Southwest, Bob Jordan.
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: