Como os pombos encontram o caminho? Ciência aponta papel do fígado
Há décadas, cientistas sabem que pombos-correio e aves migratórias conseguem usar o campo magnético da Terra para se orientar durante longas viagens. O que permanecia um mistério era como esses animais percebiam esse sinal invisível. Agora, um estudo publicado na revista Science sugere que parte da resposta pode estar em um local inesperado: o fígado.
Pesquisadores da Alemanha descobriram que células imunológicas presentes nesse órgão podem atuar como sensores magnéticos naturais, ajudando os pombos a encontrar o caminho de volta para casa, mesmo quando referências visuais não estão disponíveis.
A bússola escondida no fígado
A equipe identificou que macrófagos — células do sistema imunológico responsáveis por remover glóbulos vermelhos envelhecidos — acumulam grandes quantidades de ferro ao longo do tempo.
Segundo os pesquisadores, esse mineral confere propriedades magnéticas especiais às células. Quando os pombos estão em voo, nanopartículas presentes nesses macrófagos se alinham ao campo magnético terrestre, permitindo que as aves detectem sua direção.
Os cientistas acreditam que esse mecanismo funciona como uma espécie de "bússola interna".
Experimento testou a orientação dos pombos
Para investigar a função dessas células, os pesquisadores analisaram diferentes tecidos do corpo das aves em busca de estruturas sensíveis ao magnetismo. O fígado apresentou a resposta magnética mais intensa entre todos os órgãos examinados.
A equipe então realizou testes com pombos-correio treinados para retornar ao viveiro após serem soltos a mais de 20 quilômetros de distância.
Os resultados mostraram que aves que tiveram os macrófagos removidos apresentaram dificuldade para encontrar o caminho em dias nublados. Quando o céu estava limpo, porém, conseguiam se orientar utilizando a posição do Sol.
Como a informação chega ao cérebro
Outra descoberta importante foi a proximidade entre os macrófagos ricos em ferro e fibras nervosas presentes no fígado. Segundo os autores, isso sugere que as informações relacionadas ao campo magnético podem ser transmitidas ao cérebro por meio dessas conexões nervosas.
A hipótese ajuda a explicar como sinais magnéticos captados pelo organismo poderiam ser transformados em informações úteis para a navegação.
Descoberta pode ajudar a entender outros animais
Além disso, os pesquisadores afirmam que o mecanismo identificado pode não ser exclusivo dos pombos. Segundo a equipe, aves migratórias noturnas, morcegos, tubarões e outros animais que se deslocam em ambientes escuros também podem utilizar sistemas semelhantes para perceber o campo magnético da Terra.
Além da navegação animal, a descoberta abre novas possibilidades para pesquisas sobre o sistema imunológico. Os cientistas destacam que o estudo sugere que células de defesa podem ser capazes de detectar estímulos ambientais de formas ainda pouco conhecidas pela ciência.
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