Como será viajar daqui a 20 anos? IA, aeroportos distribuídos e controle de turismo

Por Gustavo Frank 24 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Como será viajar daqui a 20 anos? IA, aeroportos distribuídos e controle de turismo

O aeroporto, como o conhecemos, pode estar com os dias contados. A sala de embarque lotada, a fila no check-in e as horas desperdiçadas entre o estacionamento e o portão são problemas de design, não de necessidade. Ty Osbaugh, líder global de aviação do escritório de arquitetura Gensler, acredita que a solução está em desconstruir o aeroporto e distribuí-lo pela cidade mais próxima. O check-in, a triagem de segurança e o despacho de bagagem aconteceriam em pontos espalhados pelo centro urbano. O passageiro chegaria ao aeroporto já pronto para embarcar.

Mas, antes de chegar ao aeroporto, a viagem já teria sido planejada por outra pessoa. Ou melhor, por outra coisa. Scott Fleming, presidente da prática de viagens da Aon, descreve um futuro em que agentes de inteligência artificial assumem toda a logística de uma viagem.

"Meu agente vai conhecer os lugares que gosto, terá acesso às minhas finanças, meu orçamento, minhas tolerâncias de risco, todas as minhas preferências, do tipo de quarto ao tipo de travesseiro", disse Fleming ao 'Wall Street Journal'. A era em que o viajante passa horas comparando preços de voos e opções de hotel estaria encerrada. O agente faria tudo, da reserva ao itinerário, com base em um perfil construído ao longo de anos de interações.

O terceiro desafio é mais complexo. A classe média cresce em países populosos como Índia e China, e o resultado esperado é um aumento significativo no número de pessoas querendo visitar Roma, Paris, Kyoto e outros destinos já sobrecarregados.

Richie Karaburun, professor da Universidade de Nova York, acredita que o overtourism vai forçar uma transformação profunda na forma como esses lugares operam. A tendência é o que ele chama de "controle de demanda": cotas de visitantes, preços dinâmicos de acesso, janelas de horário e sistemas de reserva obrigatória para atrações e até bairros inteiros. Veneza e Dubrovnik já ensaiam versões disso hoje. Em 20 anos, pode ser o padrão.

O que une os três cenários é a mesma lógica: a viagem do futuro será mais personalizada, mais controlada e menos dependente do acaso. Se isso vai torná-la mais agradável, é uma outra pergunta.

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