Como um cientista levantou US$ 1,1 bilhão propondo um novo tipo de IA
A Ineffable Intelligence, laboratório britânico de inteligência artificial fundado há poucos meses, levantou US$ 1,1 bilhão em sua rodada inicial de financiamento e já nasceu avaliada em US$ 5,1 bilhões. A empresa foi criada por David Silver, ex-pesquisador do DeepMind e um dos principais nomes em aprendizado por reforço no setor.
A startup quer desenvolver um “superlearner”, sistema capaz de descobrir conhecimento e habilidades sem depender de dados produzidos por humanos. A proposta é usar reinforcement learning, aprendizado por reforço, técnica em que modelos aprendem por tentativa e erro em vez de apenas estudar exemplos prontos.
Segundo a empresa, a ambição é ir além dos atuais grandes modelos de linguagem, como os LLMs, sigla para large language models, que hoje dominam o mercado de IA generativa.
No site oficial recém-lançado, a companhia afirma que, se a iniciativa for bem-sucedida, representará um avanço científico comparável ao de Charles Darwin ao explicar as leis da vida.
A rodada foi liderada por Sequoia Capital e Lightspeed Venture Partners, com participação de Google, Nvidia, Index Ventures e fundos ligados ao governo britânico.
Entre os investidores também estão o British Business Bank e o Sovereign AI, novo fundo soberano britânico criado para impulsionar empresas estratégicas de inteligência artificial no Reino Unido.
O valor coloca a Ineffable no grupo das chamadas pentacorns, startups avaliadas em mais de US$ 5 bilhões, mesmo antes de consolidar receita relevante ou um produto comercial claro.
O mercado tem apelidado esse tipo de captação de coconut rounds, uma ironia com as tradicionais rodadas seed, já que empresas fundadas por pesquisadores muito conhecidos conseguem levantar valores bilionários ainda no estágio inicial.
Londres reforça posição como novo polo global de IA
O avanço da Ineffable se soma a outras startups fundadas por ex-cientistas do DeepMind e reforça o crescimento de Londres como centro estratégico da nova corrida por inteligência artificial.
Além da permanência do próprio DeepMind após sua aquisição pelo Google em 2014, a cidade também atrai novos projetos como o laboratório de IA ligado a Jeff Bezos, o Project Prometheus.
A força desse ecossistema também vem da rede de ex-funcionários do DeepMind, que hoje abastece novas empresas e ajuda a transformar reputação acadêmica em captação bilionária.
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