Comunidades, influência e Messi: a estratégia de conexão da OpenAI com o público

Por Soraia Alves 11 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Comunidades, influência e Messi: a estratégia de conexão da OpenAI com o público

RIO DE JANEIRO - Uma rápida passagem pelo feed do Instagram nos mostra o quanto o brasileiro passou a usar, sem rodeios, ferramentas de inteligência artificial generativa no seu dia a dia. Ainda assim, os números compartilhados por Christian Rôças (Crocas), head de comunidades, criadores e talentos da OpenAI para a América Latina, impressionam:

“No Brasil, cerca de 140 milhões de mensagens são trocadas por dia no ChatGPT. Hoje, somamos aproximadamente 50 milhões de usuários na plataforma. Isso significa que quase um quarto da população está usando o GPT”, analisa Crocas, em conversa com a EXAME durante o Web Summit Rio 2026.

Os números colocam o país como o terceiro maior mercado global da plataforma, atrás apenas dos Estados Unidos e da Índia.

Confiança conquistada

Que o brasileiro é, quase sempre, um entusiasta de novas tecnologias, já sabemos. No entanto, Rôças destaca que essa adoção positiva da OpenAI no país também é resultado de decisões estratégicas da marca na América Latina. Entre elas, a confiança trabalhada por meio de ações como a recente parceria com Lionel Messi.

"Em uma entrevista recente, Messi contou que ele não usava muito o ChatGPT, simplesmente porque não sabia usar. Sua esposa, no entanto, é uma grande fã da ferramenta. Vimos a história como uma oportunidade perfeita para ajudar o Messi a entender como usar o GPT. Afinal, se para o Messi for uma coisa simples, outras pessoas vão sentir confiança em experimentar", avalia o executivo.

A campanha, resultado da parceria, foi divulgada na quarta-feira, 10, em uma collab entre os perfis de Messi e da OpenAI no Instagram. Na ação, o jogador usa o ChatGPT Imagens para mudar a cor do cabelo, inspirado nas cores da Argentina. A brincadeira também ensina os comandos para que os usuários gerem imagens inspiradas nas cores de seus países.

Comunidades como infraestrutura

Outro braço da estratégia de pertencimento da OpenAI no Brasil foca no conceito de comunidade. Segundo Crocas, a empresa entende que, em um ambiente onde a tecnologia pode gerar receio, a melhor forma de aproximar a marca da realidade é colocar a comunidade no comando.

Neste contexto, programas de letramento entraram na agenda da empresa no país. Fortaleza (CE) foi a primeira cidade a receber as aulas presenciais do Mutirão.AI, projeto gratuito de formação em IA que conecta tecnologia à produção cultural nas periferias do Brasil. O programa tem realização de KondZilla e Flint, e apoio da OpenAI.

"Acreditamos que todo mundo merece ter acesso a essa tecnologia, que pode ser uma aliada para os negócios ou para o dia a dia. Por isso, apostamos em um trabalho de educação e capacitação, e olhamos para além do eixo Rio-São Paulo, afinal, o Brasil é muito diverso”, explica o executivo.

Influenciadores como meio

Para Crocas, a principal atuação dos criadores de conteúdo na comunidade OpenAI é justamente levar informação diretamente a muitas pessoas. O chamado social learning, com os próprios criadores parceiros ensinando suas comunidades.

Com o projeto Favela Gastronomia, por exemplo, realizado em parceria com o influenciador Renê Silva, a OpenAI levou dicas de como usar a IA nos negócios para 30 empreendedores do Complexo do Alemão.

"A maneira como vamos ensinar sobre IA no Brasil não é a mesma da Coreia do Sul ou do Japão. Quando a gente traz a comunidade para perto e ativa a escuta, percebemos as nuances e necessidades que cada país tem", avalia Crocas.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: